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Sites de relacionamento tentam unir investidores e executivos

Silla Brush e Trista Kelley

(Bloomberg) -- Várias empresas iniciantes estão aproveitando novas regras da União Europeia para tomar o papel dos bancos que atuam arranjando encontros entre investidores e executivos.

Em um momento em que investidores se preparam para novas regras da UE exigindo que paguem por produtos de pesquisa à la carte, o acesso a executivos se sobressai como um dos serviços mais valiosos. São conferências, roadshows e conversas com executivos que podem resultar em informações vantajosas. No mundo todo, os investidores gastam mais de US$ 2 bilhões por ano para obter acesso às corporações, segundo a consultoria Greenwich Associates.

Esse gasto geralmente estava integrado às comissões por negociação de instrumentos financeiros pagas aos bancos. A separação desse serviço e de seu preço proporciona uma grande oportunidade a gente como Adrian Rusling, fundador de um website que tem entre seus usuários executivos da BlackRock, do Credit Suisse Group e da FedEx.

"É como o Match.com", disse Rusling, se referindo ao site de relacionamentos amorosos que no Brasil também usa a marca ParPerfeito. Ele fundou a CorporateAccessNetwork em 2013 como braço de uma firma de relações com investidores com sede perto de Bruxelas. "Em vez de rapazes que conhecem garotas, são empresas que tentam conhecer investidores. Nossa ideia foi tentar democratizar esse segmento um pouco e abri-lo um pouco mais."

O planejamento para as regras MiFID II (sigla para Diretiva de Mercados em Instrumentos Financeiros), que entram em vigor na Europa em janeiro, está por trás de um aumento de 50 por cento nas solicitações diárias de usuários neste ano, segundo Rusling. A firma dele não é a única. WeConvene e ingage também são agentes independentes que pretendem abocanhar uma fatia maior dessas comissões. Sua escala é pequena. De acordo com Rusling, os bancos dominam aproximadamente 95 por cento do mercado. Porém, a concorrência está ficando mais acirrada à medida que os fundos cortam custos e as operações de pesquisa dos bancos encolhem.

O acesso corporativo há muito tempo é alvo de escrutínio. Questiona-se se é uma forma injusta de dar vantagem a alguns investidores. Também é considerado um meio útil para os executivos explicarem suas estratégias e para os gestores de ativos entenderem melhor uma empresa do que apenas lendo sua documentação. Há muito em jogo. Pelos cálculos de Rusling, um encontro individual com o presidente de uma empresa importante pode valer até US$ 20.000.

Perfil dos investidores

Essas startups aproveitam o potencial conflito de interesses por trás desses encontros que levou as autoridades a mudar a legislação. Como essas interações eram bancadas por comissões pela negociação de ativos, os bancos frequentemente ofereciam o melhor acesso corporativo aos clientes mais ativos ? e não àqueles que talvez seriam os melhores investidores de longo prazo para aquela companhia, de acordo com autoridades.

Essa crítica é considerada válida por muitas corporações. Jeff Smith, da área de relações com investidores da FedEx, conta que frequentemente pede ajuda aos departamentos de pesquisa de Wall Street para chegar aos investidores, mas que isso tem seu lado ruim.

"Há investidores com quem eles fazem negócio e outros com quem não fazem e, de vez em quando, relutam em convidar pessoas com quem ainda não têm acordos de cliente", afirmou Smith. Ele disse que esta é uma das razões pelas quais se filiou à CorporateAccessNetwork.

Já os bancos, que estão discutindo os preços das pesquisas com seus clientes, não vão abrir mão tão facilmente do negócio de acesso corporativo. Entre suas vantagens estão conferências bem estabelecidas e vínculos mais profundos com as empresas.

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