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Defensores do clima dominam previsão do tempo na TV dos EUA

Eric Roston

(Bloomberg) -- Amber Sullins tem um ou dois minutos para falar para mais de dois milhões de pessoas sobre alguns dados científicos extremamente complicados, usando as ferramentas de seu ofício: uma voz agradável, uma tela verde e pequenos ícones que denotam sol, nuvens, chuva e vento. Ela é a principal meteorologista do canal ABC15 News em Phoenix, por isso, na maioria das vezes, ela prevê dias ensolarados. Neste breve período, no entanto, Sullins às vezes consegue ir além dos próximos cinco dias. Muito além.

"Sabemos que a mudança climática pode afetar todos os aspectos de nossa vida no futuro, da agricultura ao turismo, da produtividade às empresas locais", comentou ela certa vez. "Mas a que preço?"

A resposta veio de um economista da Universidade do Arizona, cujo trabalho busca aprimorar a compreensão sobre como a mudança climática pode afetar os mercados. "O clima se tornará mais variável", respondeu ele, "e isso fará com que [o PIB] se torne mais variável. Então vamos oscilar mais, de um ano para outro."

Foi um segmento de 35 segundos em um noticiário noturno, um momento comum antes de reportagens sobre três bombeiros mortos no estado de Washington e um acontecimento perigoso para os passageiros aéreos. Mas aquela cena voltada para o clima e centenas de outras como ela, que são transmitidas por canais locais de notícias nos EUA, representam uma grande mudança no modo que os americanos ouvem falar da mudança climática. Sem que os telespectadores percebessem, o velho e tranquilo meteorologista da TV se tornou um diplomata público do aquecimento global.

O apresentador da previsão do tempo dos noticiários locais dos EUA é a cara de uma indústria de US$ 7 bilhões, segundo estimativas do Serviço Nacional de Meteorologia: uma operação quase invisível que abarca cerca de 350 organizações dos setores público e privado nesse país. No cerne, estão os 5.000 funcionários do Serviço Nacional de Meteorologia, cujos esforços para prever o tempo geram cerca de US$ 32 bilhões em benefícios anuais para as famílias americanas, de acordo com estimativas federais.

A transmissão televisiva continua recebendo muita atenção dentro da indústria climática dos EUA, mesmo em uma época em que os curiosos podem conferir a temperatura e a previsão no aparelho que carregam no bolso. Mas os aplicativos climáticos ainda não digitalizaram a previsão do tempo. Apesar do burburinho em torno da inteligência artificial, continua sendo necessário um ser humano para prever o tempo ? e, para milhões de pessoas, nada substitui um meteorologista fotogênico e confiável.

"Os noticiários de TV locais não existiriam mais se não fosse pelos profissionais da previsão do tempo", disse Ed Maibach, diretor do Centro de Comunicação sobre a Mudança Climática, da Universidade George Mason.

No entanto, o ceticismo da população em relação à mudança climática é uma realidade enfrentada pelos meteorologistas da TV, que precisam ter o apelo mais amplo possível. A negação é "um fenômeno americano", diz o veterano apresentador da previsão de Miami John Morales, que agora está no canal NBC 6. "Isso não é algo que se vê no mundo todo."

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