Redução lenta de spreads bancários desafia aposta de Ilan

Mário Sérgio Lima

(Bloomberg) -- O Banco Central brasileiro apresentou uma série de medidas para melhorar o mercado de crédito e permitir uma redução do custo dos empréstimos. A despeito da aposta do presidente Ilan Goldfajn, até o momento os esforços têm sido frustrados.

Dados publicados nesta quarta-feira pela autoridade monetária revelam que mesmo com um ciclo de corte da taxa Selic que já atingiu 300 pontos-base desde outubro, os juros do sistema e os spreads bancários ainda resistem. A diferença entre o custo médio de captação e o de empréstimo do sistema bancário encerrou março em 23,9 pontos percentuais, ante 24 em outubro.

Em dezembro, o Banco Central apresentou uma agenda de medidas administrativas e legais a serem tomadas pela autoridade nos próximos anos. Na parte referente ao crédito, o foco principal do BC estava em reduzir os custos do sistema de forma sustentável. Entre as medidas já anunciadas estão alterações na segmentação das instituições em termos de custos de regulação prudencial, simplificação de regras do depósito compulsório e regras para cartão de crédito.

"A evidência empírica do passado mostra uma relação forte de que, quando a política monetária está flexibilizando, o spread tende a cair," afirmou Goldfajn em entrevista por videoconferência de seu escritório em Brasília. "Nao é imediata, ela não acontece no mês a mês, tem alguma defasagem, acredito que o spread vai diminuir ao longo do tempo, só que a frequência mês a mês pode gerar mais ruído".

Concentração bancária

Para o presidente do BC, existem diversos fatores que influenciam os altos spreads bancários no país e que estão sendo enfrentados pela autoridade, como "inadimplência, imposto, compulsório, custo administrativo, custo regulatório". A concentração bancária no país, elevada para padrões internacionais, não é a causa principal, segundo Goldfajn.

"A questão tem a ver com competição e capacidade de influenciar os preços e ter concorrência", disse Goldfajn. "Temos defendido a importância das inovações tecnológicas como forma de gerar competição, e eu diria que o fundamental é como fomentar melhor um sistema mais eficiente e melhor para o cidadão."

Segundo o último relatório de estabilidade financeira do Banco Central, relativo ao segundo semestre de 2016, os quatro maiores bancos são responsáveis por quase 80 por cento do crédito do sistema e mais de 72 por cento dos ativos. O índice de Herfindahl-Hirschman, que mede concentração bancária, tem se elevado a cada trimestre e já quase atingiu o patamar de alta concentração.

O acúmulo de mercado na mão de algumas poucas instituições tende a ter nova elevação em caso de aprovação da compra da operação brasileira do Citigroup Inc pelo Itaú Unibanco Holding SA. O mesmo foi observado após a aprovação da aquisição no ano passado, pelo Banco Bradesco SA, dos ativos no país do HSBC Holdings PLC. A fusão foi comunicada neste mês ao conselho administrativo de defesa econômica, órgão antitruste brasileiro.

"O BC tem uma preocupação pertinente com o risco sistêmico bancário no país, que fica reduzido com instituições grandes como temos no Brasil", afirmou a conselheira do Cade Cristiane Alkmin, em entrevista de seu escritório em Brasília. "Eu, como membro do órgão que controla a concorrência, me preocupo com essa concentração, e acredito que os órgãos públicos têm de trabalhar em parceria pelo bem do consumidor".

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