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Nova Zelândia não quer que estrangeiros cheguem para ficar

Tracy Withers

(Bloomberg) -- Os habitantes da Nova Zelândia adoram exibir seu lindo país para os visitantes estrangeiros, mas compartilhá-lo permanentemente com eles é outra história.

Um influxo inédito de imigrantes está exacerbando a escassez de moradia e sobrecarregando a infraestrutura, como escolas e hospitais, o que gera um debate político acalorado sobre o assunto antes da eleição geral deste ano.

"Agora, mais do que nunca, precisamos parar para repensar nossa posição atual", disse Andrew Little, líder do Partido Trabalhista, principal opositor do governo, que observou que metade dos novos recém-chegados decide morar em Auckland. "Não podemos continuar levando tanta gente para nossa maior cidade, que já está sofrendo com trânsito congestionado, escolas superlotadas e preços de moradia disparados."

Os dados estatísticos sobre a migração continuam desafiando as projeções de desaceleração, porque subiram continuamente nos últimos quatro anos. O recorde de 129.518 pessoas se mudou para a Nova Zelândia no ano até março. O fato coincidiu com o menor número de neozelandeses que se mudaram para o exterior em mais de 30 anos, o que gerou o ganho líquido recorde de 71.932.

A economia forte e o isolamento da Nova Zelândia tornam o país um lugar cada vez mais atraente para morar em meio às incertezas globais causadas pelo terrorismo, pelo Brexit e por Donald Trump na presidência dos EUA. Economistas do ASB Bank projetam que os níveis de imigração vão continuar elevados por um tempo, o que fará com que a população da Nova Zelândia chegue a 5 milhões em 2019, em contraste com os 4,7 milhões de habitantes atuais.

Embora partidos opositores estejam tentando explorar os receios relativos ao impacto do crescimento populacional antes da eleição de 23 de setembro, o governo afirma que os imigrantes preenchem lacunas em setores essenciais e ajudam a estimular o crescimento econômico. No entanto, foram anunciados neste mês planos para dificultar o acesso a vistos para trabalhadores não capacitados a fim de "administrar o número e melhorar a qualidade dos imigrantes que chegam à Nova Zelândia", segundo o governo.

Uma característica do ciclo migratório desde 2012 é o declínio da quantidade de cidadãos neozelandeses que sai do país em busca de empregos ou de melhor remuneração no exterior, frequentemente na Austrália, e o fato de que mais neozelandeses estejam voltando porque os empregos em mineração e construção escassearam no mar da Tasmânia.

No ano até março, o número de cidadãos que deixou o país superou o de chegadas em apenas 1.341 ? o total anual mais baixo desde 1984.

A economia da Nova Zelândia é uma das que mais rapidamente cresce no mundo desenvolvido, com uma expansão anual de cerca de 3 por cento nos últimos anos.

"Por causa de nossa perspectiva positiva única, as pessoas continuam aparecendo e os neozelandeses não vão embora", disse o primeiro-ministro Bill English no mês passado. "Nosso verdadeiro desafio é responder a esse crescimento e investir para apoiá-lo, para que as pessoas possam ter a qualidade de vida que vieram buscar aqui."

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