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PSDB se distanciará do governo em 2018, diz Tasso Jereissati

Samy Adghirni

(Bloomberg) -- Caso se confirme a expectativa de retomada econômica, o PSDB se afastará da base governista com vistas à disputa presidencial de 2018, segundo um dos principais quadros do partido, o senador Tasso Jereissati.

"Nossa missão é ajudar o governo nas reformas essenciais para que o Brasil dê a volta por cima, volte a crescer e retome o emprego", disse Tasso, em entrevista à Bloomberg em seu gabinete em Brasília. "Quando chegar as eleições, aí é outra historia. Cada um toma o seu rumo". O senador tucano afirma que isso poderá ocorrer no segundo trimestre do ano que vem. Ele insiste em que o PSDB, mesmo fora do governo, continuaria defendendo reformas.

A afirmação parece questionar a posição, defendida por setores da base governista, de entrar na disputa presidencial de 2018 com candidatura única construída pelo palácio do Planalto. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sugeriu, em evento da Bloomberg no mês passado, que o presidente Michel Temer seja o "grande condutor do processo eleitoral" e defendeu que partidos da base estejam unidos em torno de uma "candidatura muito forte, qualquer nome que seja". Temer disse reiteradas vezes que não pretende entrar na disputa.

Tasso não quis dizer qual o nome do PSDB com mais chance de ganhar a eleição. Ele afirmou que essa discussão "está muito mais fora do partido do que dentro" e disse que a prioridade é manter os parlamentares tucanos motivados e mobilizados em favor das reformas econômicas. "Nós mesmos só temos viabilidade eleitoral se o país tiver retomado o crescimento quando chegarem as eleições", disse Tasso, presidente da Comissão dos Assuntos Econômicos (CAE) do senado. Segundo o senador, reformas como as da Previdência e a trabalhista, embora impopulares, são a única maneira de reerguer a economia e o emprego.

Tasso avalia que a rejeição das reformas é alimentada pelo PT e seus aliados com fins políticos. Mas o senador diz não ver força suficiente no movimento para que se sustente uma candidatura de Lula em 2018. "Lula só se elegeu quando conseguiu o apoio da classe média. Esses 20-25% de apoio ele sempre teve. No dia em que ele conseguiu sair desse teto e conseguiu o apoio da classe média, ele se elegeu. Mas esse apoio se perdeu e virou rejeição".

O maior risco que o Brasil corre, diz Tasso, é a possibilidade de que a combinação de crise econômica e rejeição generalizada dos políticos devido às denúncias de corrupção, favoreça a eleição de um outsider em 2018. "Se nós, políticos, não formos capazes de resolver grandes questões nacionais, vamos assinar confissão de falência da nossa capacidade. E isso é perigoso porque a negação da política e dos políticos pode levar ao autoritarismo."

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