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Aplicativos de carros usados querem provar que não são fiasco

Eric Newcomer

(Bloomberg) -- Nos últimos anos, capitalistas de risco ficaram realmente animados com os carros usados. Eles achavam que vender carros pela internet ou por meio de aplicativos móveis poderia revolucionar o mercado de automóveis de segunda mão e tornar as concessionárias irrelevantes. Os investidores injetaram mais de US$ 860 milhões em quatro empresas -- Beepi, Carvana, Vroom e Shift Technologies -- entre 2013 e 2016.

Mas a Beepi fechou repentinamente a maior parte de suas operações em dezembro. A startup já havia gastado US$ 150 milhões antes de os investidores perceberem que ela não prestava. A Beepi começou a vender-se em partes no início do ano para reembolsar os credores, publicou o Wall Street Journal. A Carvana, que recebeu US$ 460 milhões de financiadores privados, realizou uma oferta pública inicial na semana passada com a esperança de que os investidores não se detivessem com a implosão de sua concorrente mais próxima. A ação caiu 28 por cento desde a abertura de capital, na quinta-feira. A Vroom continua privada.

Agora a mais jovem e menor das quatro empresas espera convencer os investidorde que ainda existe uma oportunidade. George Arison, CEO da Shift, escreveu um e-mail a seus investidores na semana passada afirmando que a companhia está crescendo mais rapidamente e que tem margens de lucro melhores que a Carvana. No e-mail visto pela Bloomberg, Arison disse que a Shift está ganhando 10 por cento a mais por carro vendido. Em entrevista, ele afirmou que a companhia multiplicou sua receita líquida por quatro no ano passado, para US$ 9,5 milhões. O montante representa pouco menos da metade do número comparável da Carvana, que a empresa divulga como lucro bruto. Ambas as empresas são deficitárias. Uma porta-voz da Carvana preferiu não comentar.

A estreia complicada da Carvana pode ser o resultado de um mercado de startups superaquecido. IPOs e aquisições de empresas de tecnologia financiadas por capital de risco aumentaram 26 por cento em relação ao ano passado, segundo o Bloomberg U.S. Startups Barometer, índice que monitora transações do mercado privado. Contudo, diversas empresas realizaram IPOs com descontos em relação a suas avaliações privadas. A Cloudera abriu seu capital na quinta-feira, juntamente com a Carvana, com cerca de metade do valor de seu último investimento privado.

Apesar da fraqueza do mercado, o CEO da Shift mostrou-se otimista em relação às perspectivas de longo prazo do negócio e elogiou a decisão da Carvana de ir ao mercado. "Abrir o capital mais cedo é algo positivo", disse Arison. "Antigamente, era assim que a maioria das empresas fazia."

Arison disse que adotou uma abordagem mais cautelosa que a da Beepi e da Carvana desde a fundação da Shift, em 2014. A Shift captou cerca de US$ 74 milhões com Goldman Sachs, Highland Capital Partners, Draper Fisher Jurvetson e outros investidores. Arison disse que está concentrado em disputar participação de mercado em algumas cidades. "Nós escolhemos ser meio discretos e cuidadosos em relação a nosso crescimento", disse ele.

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