Batalha eleitoral entre duas Franças define futuro da Europa

John Follain

(Bloomberg) -- Willy Guenet fuma um cigarro em frente à cantina dos trabalhadores ferroviários no norte da França onde ele trabalha como cozinheiro e desabafa sua frustração de eleitor flutuante.

Ao longo dos anos, Guenet tentou com os comunistas, com os socialistas e com a direita tradicional, e nenhum deles conseguiu ajudar Tergnier, sua cidade natal, no cinturão da ferrugem do norte da França. Com 45 anos, ele tem um emprego de salário mínimo e agora vai tentar com Marine Le Pen.

"Esta cidade está morrendo", diz ele olhando os hangares abandonados do terminal de cargas da cidade. "Eu quero acreditar em Le Pen. Ela é a única que resta."

O desespero de lugares como Tergnier se tornou um problema central da campanha presidencial e será um desafio fundamental para quem assumir a presidência após o segundo turno do domingo.

Com os empregos industriais tradicionais se mudando para lugares mais baratos dentro da União Europeia ou na Ásia, nenhum governo conseguiu reverter o declínio econômico do norte e do leste da França. Foi ali que Le Pen obteve grande parte do seu apoio no primeiro turno em 23 de abril e foi ali que o favorito, Emmanuel Macron, decidiu começar a campanha para o segundo turno alguns dias depois.

Um mundo de distância

O terceiro distrito de Paris fica a duas horas de carro e a um mundo de distância de Tergnier. Talvez existam poucos lugares onde a economia globalizada esteja funcionando melhor.

Executivos da moda, da mídia e de relações públicas trabalham para clientes de Los Angeles a Tóquio e vivem entre as mansões, os museus e os mercados de alimentos orgânicos de um dos bairros mais badalados da capital. Muitas vezes ridicularizado como lugar frequentado pelos "les bobos" -- "boêmios burgueses" ricos que marcam tendência --, ali Macron ganhou no primeiro turno com 45 por cento dos votos.

"Estamos bem no meio da globalização", diz Julie Berton, simpatizante de Macron, de 38 anos, comendo um croissant no terraço ensolarado do Café Le Sancerre. A agência de fotografia de moda onde ela trabalha tem escritórios bem perto dali e em Nova York, com clientes de Hermès a Christian Dior.

Esta é a França que tem enfrentado os avanços em tecnologia e em livre comércio que prejudicaram Tergnier, e que tem se adaptado a eles.

Unificador

Macron se apresenta como o candidato unificador que pode conquistar os Willy Guenet sem prejudicar pessoas como Julie Berton. Tergnier talvez seja seu maior desafio.

A cidade, com uma população de 13.000 habitantes, votava comunista e depois socialista. Ela se voltou à Frente Nacional quando sua enorme estação ferroviária de cargas -- uma das maiores da França -- perdeu centenas de empregos. Siderúrgicas, uma fábrica de açúcar e outras empresas fecharam ou se mudaram, deixando a taxa de desemprego em 15 por cento. A média nacional é de 10 por cento. Trinta e seis por cento dos eleitores apoiaram Le Pen no mês passado, uma de suas votações mais altas no país.

"A globalização é ruim para Tergnier", disse o prefeito Christian Crohem, 67, que dirige uma coalizão de esquerda. "Nós incorporamos mais países à UE e permitimos que as empresas se mudassem, então competimos com trabalhadores do exterior que não jogam com as mesmas regras, é uma concorrência desleal."

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