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Os bastidores do fracasso da organização do Fyre Festival

Polly Mosendz e Kim Bhasin

(Bloomberg) -- Logo depois que saiu do ônibus para o local do festival, no fim da tarde de quinta-feira, William N. Finley IV percebeu que algo estava errado. Ela havia voado para as Bahamas para o Fyre Festival, um evento de luxo ostensivo repleto de celebridades, iates e mansões na praia intocada de uma ilha paradisíaca. Mas havia poucos sinais dessa promessa à vista. Ele avistou o organizador do festival, Billy McFarland, no alto de uma plataforma rodeado por convidados confusos. Ninguém sabia o que fazer. A multidão foi informada de que deveria buscar abrigo, por isso correu para as proximidades, para um lugar que os convidados descreveram como uma cidade de desastrosas barracas de acampamento.

"Àquela altura todos nós pensávamos, não foi isso que eu paguei", disse Finley, de 32 anos, que se transformou em subcelebridade com seu pseudônimo, alimentando contas nas redes sociais a respeito do fiasco em câmera lenta. (Seu verdadeiro nome é Seth Crossno, um escritor da Carolina do Norte, EUA). Prosseguindo com a história, Crossno disse que acabou encontrando comida em uma tenda que parecia o refeitório de um acampamento de verão. Havia sanduíches, salada de macarrão, pratos à base de frango e algumas frutas -- nada terrível, embora ele tivesse desembolsado cerca de US$ 4.000 por aquilo como parte do pacote. E seu ingresso foi uma pechincha em comparação com os lugares VIP que superaram os US$ 10.000 pela promessa de novas sensações absolutas.

O que deveria ser um festival de música idílico, capaz de superar os encontros realizados no deserto da Califórnia, se transformou em um caos, fazendo com que os convidados enfrentassem condições abaixo do padrão, falta de acomodações e promessas quebradas. Mas nos bastidores houve um tipo diferente de caos. Em entrevista à Bloomberg, pessoas informadas a respeito do gerenciamento do festival descreveram um evento condenado pela má administração, por falhas logísticas e por contingências de última hora, apesar do planejamento feito por um ano -- as acusações ecoaram de uma ação coletiva aberta na segunda-feira em Los Angeles, que incluiu as postagens de Crossno enviadas ao vivo pelo Twitter diretamente da calamidade.

Da comida à segurança, nada deu certo no Fyre Festival.

A promoção do evento começou em dezembro, quando uma imagem em close de modelos de biquíni (de costas) apareceu pela primeira vez no perfil da Fyre Festival no Instagram. Em uma apresentação a investidores obtida pela Vanity Fair, a Fyre focava em "influenciadores" de celebridades, chamados por eles de "Fyre Starters". Um dos slides reproduzidos pelo artigo da revista indagava: "e se reimaginássemos o significado de participar de um festival de música?" Em meio a tudo isso, contudo, o trabalho de confirmar vendedores e emitir pagamentos permanecia incompleto. Até algumas semanas antes do início do evento, disse um produtor de talentos, o palco e o transporte ainda não haviam sido garantidos.

A empresa Fyre Media Inc., fundada em 2015 por McFarland e pelo rapper Ja Rule, começou como um aplicativo de reserva de talentos. Durante algum tempo, McFarland administrou simultaneamente a Fyre e o Magnises, um clube social para a geração Y. No fim de 2016, McFarland e seu braço direito, Grant Margolin, haviam mudado o foco para a Fyre, segundo uma pessoa que trabalhou com McFarland em uma das empresas. A gestão dos recursos era um problema no Magnises, já que nenhuma empresa de recursos humanos foi contratada e as faturas eram pagas com cheques pessoais, transferências bancárias e cheques corporativos formais, disse a pessoa, que pediu anonimato porque não está autorizada a discutir o funcionamento interno da firma. As pessoas caracterizaram McFarland, 25, como uma pessoa genuína, bem-intencionada e interessada na felicidade de seus clientes, mas inexperiente. McFarland e Margolin não deram retorno aos diversos pedidos de comentário.

Considerando a série de queixas, os convidados conversaram a respeito de ações judiciais antes mesmo de deixarem a ilha. Na segunda-feira entrou a primeira. A ação apresentada em Los Angeles foi aberta pelo detentor de um único ingresso que acusou os organizadores do Fyre Festival de fraude, declarações negligentes e violação de contrato. Daniel Jung busca representar milhares de pessoas que viajaram de avião para participar do festival tropical e seus advogados, liderados por Mark Geragos, pedem o chamativo valor de US$ 100 milhões no litígio.

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