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Boom petroleiro inesperado no Ártico dá lições a Donald Trump

Mikael Holter

(Bloomberg) -- Considerando que o setor de petróleo mal se recuperou da crise mais brutal em décadas, seria possível supor que o Oceano Ártico fosse o último lugar onde exploradores procurariam novas descobertas.

O Mar de Barents, no extremo norte da Noruega, é diferente.

As autoridades norueguesas esperam que várias empresas, comoi Lundin Petroleum e OMV, perfurem o recorde de 15 poços em Barents neste ano. A Songa Enabler, uma máquina de perfuração flutuante da Statoil do tamanho de dois campos de futebol, encabeça as iniciativas com uma campanha de exploração de cinco poços.

Barents oferece várias vantagens em relação ao Ártico dos EUA, onde o presidente Donald Trump pressiona para expandir a perfuração. Graças à corrente do Golfo, ele está em grande parte sem gelo, ao contrário de outras áreas, como Alasca e Groenlândia, que foram abandonadas por petroleiras como a Royal Dutch Shell desde 2014. As águas relativamente rasas da Noruega fazem com que perfurar custe menos, e o possível prêmio é enorme: o quarto poço da Enabler será Korpfjell, provavelmente a maior promessa que será testada no litoral da Noruega desde a década de 1990.

"É a maior estrutura restante que conhecemos na plataforma continental norueguesa", disse Tim Dodson, diretor de exploração da estatal Statoil, a bordo da sonda na semana passada. "É importante para nós e para o norte da Noruega - e para o país inteiro, na verdade."

Aposta

A Statoil, a Lundin e a OMV já descobriram mais de um bilhão de barris no Mar de Barents desde 2010, e no ano passado a Eni começou a extrair petróleo de Goliat, a primeira plataforma da área. A Statoil planeja tomar uma decisão definitiva de investimento no projeto Johan Castberg neste ano após reduzir mais de 50 por cento dos custos.

Apesar do otimismo do setor, a perfuração no Ártico continua sendo polêmica na Noruega, um país com 5,3 milhões de habitantes que se tornou um dos mais ricos do mundo após descobrir petróleo no Mar do Norte no final dos anos 1960.

Grupos ecologistas como Greenpeace e WWF afirmam que as sondas de perfuração estão se aproximando demais do limite da calota de gelo polar - um ecossistema frágil que sustenta várias espécies, de plâncton a mamíferos -, o que representa ameaças catastróficas em caso de derramamento. Também é debatida a rentabilidade do petróleo e do gás na remota região do Mar de Barents em meio às iniciativas para combater a mudança climática, que poderiam provocar uma forte queda da demanda por combustíveis fósseis.

"Há uma probabilidade muito alta de que esses investimentos sejam ativos atolados", disse Jens Ulltveit-Moe, investidor norueguês que ganhou parte de sua fortuna de US$ 400 milhões com empreendimentos ligados ao petróleo e os vendeu há mais de uma década.

A Statoil e o ministro de Petróleo e Energia da Noruega, Terje Soviknes, discordam.

"Com um preço de equilíbrio de US$ 35 por barril, somos mais que competitivos", disse ele em entrevista a bordo da Enabler, em referência ao projeto Castberg da Statoil. "Isso faz com que grande parte do debate sobre ativos atolados desapareça."

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