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Plano de carros autônomos da Uber é ameaçado por briga judicial

Joel Rosenblatt e Eric Newcomer

(Bloomberg) -- O CEO da Uber, Travis Kalanick, chama os carros autônomos de necessidade "existencial" de sua empresa. Se ele estiver certo, a Uber não poderá se dar ao luxo de perder sua batalha judicial com a rival Waymo.

Os dois titãs se enfrentam em um tribunal federal de São Francisco por acusações de que a Uber roubou segredos comerciais do projeto de carros autônomos da Waymo. Na quarta-feira, um juiz analisará o pedido da unidade da Alphabet de congelar os esforços da Uber de desenvolver um carro totalmente autônomo até um júri emitir um veredicto sobre o caso.

As empresas estão competindo para ver qual será a primeira a desenvolver um sistema completo de direção de veículos que não exija a supervisão de um motorista, um negócio que ambas as empresas acreditam que poderá valer centenas de bilhões ou até trilhões de dólares por ano. Se o tribunal interromper o trabalho da Uber até a resolução da ação judicial, a empresa poderá ser rapidamente deixada para trás em relação à Waymo e a outras rivais, como a Cruise Automation, da General Motors.

A Alphabet afirma que o projeto de carros autônomos da Uber é baseado em segredos comerciais críticos roubados por um engenheiro, Anthony Levandowski, que segundo a empresa foi recrutado da Waymo no ano passado. A Waymo parecia ter ganhado uma vantagem quando o juiz distrital dos EUA William Alsup afirmou, em audiência realizada em 5 de abril, que a Uber provavelmente não receberia um "passe de saída da prisão". Mas na semana passada a Uber anunciou que havia rebaixado Levandowski, afastando-o do desenvolvimento da tecnologia-chave do processo.

Por isso, na quarta-feira, Alsup avaliará se existe necessidade de interromper o programa da Uber até o julgamento, agora marcado para outubro, ou dar um sinal à Uber de que a empresa tomou medidas suficientes para isolar o programa de qualquer possível violação de segredos comerciais.

'Pior cenário'

"O pior cenário para a Uber é que o juiz diga 'do meu ponto de vista, considerando todos os fatos que vi, é impossível vocês avançarem nesse projeto de veículos autônomos até o julgamento sem utilizarem inapropriadamente essa informação, que já contaminou aquilo em que vocês estão envolvidos'", disse Jim Pooley, advogado especializado em propriedade intelectual do Vale do Silício, que não está envolvido no caso.

O melhor cenário seria que Alsup estivesse convencido que "houve um grande esforço para colocar o sr. Levandowski em uma quarentena voluntária" e que a informação da Waymo não foi utilizada pela Uber, disse Pooley.

Na semana passada, a Waymo deu início aos testes públicos inaugurais de sua tecnologia em Phoenix, EUA. A companhia tem quase 4,8 milhões de quilômetros em testes de rua até o momento, mas só fechou acordo com uma fabricante de veículos, apesar dos esforços empreendidos para ampliar as parcerias. Apesar de ter começado sua iniciativa de pesquisa mais tarde, a Uber iniciou os testes de direção autônoma com passageiros em três cidades, incluindo Phoenix.

Ambas as empresas enfrentam uma lista crescente de rivais que trabalham para fabricar carros autônomos: os órgãos reguladores da Califórnia concederam permissões de testes a 30 companhias neste ano, incluindo alguns roboticistas que deixaram a Waymo e a Uber.

Informações do caso: Waymo LLC v. Uber Technologies Inc., 17-cv-00939, U.S. District Court, Northern District of California (San Francisco).

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