Bolsas

Câmbio

Brexit começa a gerar preocupação em setor britânico de serviços

Jillian Ward

(Bloomberg) -- Há uma década Fraser Bell abriu a Northern Star, sua empresa de tecnologia, em Londres. Após o triunfo do Brexit, ele não sabe se faria isso de novo.

"Enquanto os políticos não pararem de fazer politicagem e não resolverem trabalhar, eu não faria um grande investimento em Londres", diz Bell, 51, que hoje emprega 20 pessoas. "Porque a gente nunca vai ter certeza do retorno."

Por enquanto, grande parte do debate sobre o Brexit tem se focado no impacto sobre fabricantes que operam no Reino Unido, como a Nissan Motor. Contudo, fornecedores de serviços como executivos bancários, advogados e empresas de tecnologia representam atualmente cerca de 80 por cento da economia e também estão começando a temer o pior à medida que a tensão entre o Reino Unido e a União Europeia aumenta. Dentro da UE, eles podem vender no maior bloco comercial do mundo, na maioria dos casos sem barreiras significativas. Fora dela, eles poderiam encontrar obstáculos.

"Arquitetos, advogados, contadores, esses setores com regulamentações mais intensivas lucram muito com o mercado comum europeu de serviços", disse Ingo Borchert, economista do U.K. Trade Policy Observatory. Fechar um acordo de livre comércio de serviços com a UE será "monstruosamente complicado" devido ao prazo curto.

Exportador

O Reino Unido é o segundo maior exportador mundial de serviços depois dos EUA. Em 2016, o total de exportação de serviços ascendeu a quase 250 bilhões de libras (US$ 322 bilhões), em comparação com 300 bilhões de libras em bens.

Fora da UE, empresas de serviços poderiam enfrentar restrições como limites à compra de participações em empresas europeias e controles de acesso a alguns setores, segundo o London First, um grupo que fez campanha contra o Brexit.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, visa chegar a um acordo abrangente de livre comércio com a UE que proporcione um acesso semelhante ao do regime atual. Mas para alguns setores, como o transporte aéreo, não há precedentes detalhados nos quais se basear, e se o acordo de livre comércio não se materializar os serviços serão regidos pelos termos da Organização Mundial do Comércio.

Se os países-membros da UE impuserem restrições com o alcance total permitido pela OMC, o custo para o Reino Unido seria de cerca de 27 bilhões de libras em exportações de serviços, disse o London First.

Emissoras, advogados

Considere as emissoras. Mais de 600 canais com sede no Reino Unido, entre eles Disney, Sony, NBC e o Discovery Channel, precisam de uma única licença para transmitir em toda a UE em vários idiomas.

Cerca de 800 advogados formados na Inglaterra e no País de Gales foram aceitos na Lista de Advogados da Irlanda, medida ocasionada pelo Brexit, segundo o diretor-geral da Sociedade de Advogados da Irlanda, Ken Murphy. Ele descreveu o fluxo de chegada de advogados novos como um "tsunami". Mais 200 se cadastraram neste ano.

Na Northern Star, Bell continua preocupado.

"Atualmente nós podemos pegar o Eurostar e viajar para Paris ou Bruxelas com muito poucos controles fronteiriços e é possível trabalhar o dia inteiro nesses países e voltar para o Reino Unido no mesmo dia", disse Bell. Mudanças "poderiam tornar isso inviável ou certamente aumentar os custos", disse ele.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos