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Análise: Menos gente vendendo, mais gente fabricando nos EUA

Conor Sen

(Bloomberg) -- O setor de varejo dos EUA perde empregos mês a mês. Mas essa não é uma má notícia.

A economia dos EUA está transferindo trabalhadores de empregos de baixa produtividade -- como por exemplo do varejo -- para empregos de alta produtividade -- nos ramos de fabricação de produtos e oferta de serviços. O fenômeno pode ajudar a responder como a economia pode voltar a crescer tão rapidamente quanto antes.

O "crescimento da produtividade" não se resume ao esforço maior dos trabalhadores ou ao investimento das companhias em equipamentos que ajudem os trabalhadores a cumprirem tarefas mais rapidamente. Ele também é benéfico quando trabalhadores deixam empregos com baixos salários e baixa produtividade e assumem funções com salários e produtividade mais elevados. Mas e se o setor de varejo está perdendo empregos? Bem, isso não está gerando um desemprego maior. As pessoas estão encontrando empregos em outros setores e, assim, contribuindo mais para o crescimento da economia.

De fato, os dois setores com salários mais baixos, o de varejo e o de lazer e hospitalidade, estão encolhendo (enquanto fatia do total de empregos). Os empregos do varejo pagam em média pouco mais de US$ 15 a hora e os de lazer e hospitalidade pagam pouco mais de US$ 13 a hora.

O que está substituindo os empregos nos setores de varejo e lazer? Empregos com salários maiores em dois dos setores mais produtivos: fabricação de produtos e serviços profissionais/executivos. Empregos na fabricação de produtos, como aqueles dos setores de manufatura e energia, pagam em torno de US$ 23 a hora, e empregos nos setores de serviços profissionais e executivos pagam uma média de US$ 26 a hora. A fatia deles frente ao total de empregos caiu um pouco durante o momento de dificuldade do setor de petróleo, mas agora está se recuperando e retomando o crescimento.

Esse tipo de migração de trabalhadores entre setores deverá ajudar a respaldar o aumento salarial e o crescimento da produtividade. Isto se tornará cada vez mais importante considerando que os EUA estão se aproximando da condição de pleno emprego. Nos últimos 45 anos, os EUA tiveram menos de 4 por cento de desemprego apenas uma vez, durante alguns meses de 2000. Com o índice de desemprego geral em 4,5 por cento atualmente, em breve não será possível aumentar a produção contratando mais trabalhadores. Mas se milhões das 31 milhões de pessoas que trabalham nos setores de varejo e hospitalidade migrarem para empregos com melhores salários e mais produtivos em outros setores, isso pode levar a salários maiores e a um crescimento econômico mais rápido sem que haja crescimento líquido dos novos empregos.

Os aspectos positivos serão mais importantes do que os negativos, mas o encolhimento dos empregos do varejo é um contrapeso. Escutamos muitos lamentos pela perda de empregos na manufatura, mas talvez em uma economia mais produtiva com pleno emprego os americanos tenham saudade dos frutos da abundância de mão de obra barata no setor de serviço -- coquetéis bem preparados por jovens formados na faculdade e caminhões de tacos em cada esquina.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

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