Nova York adere a spas de desintoxicação digital

Sarah Firshein

(Bloomberg) -- Em uma recente manhã de terça-feira, o aplicativo do New York Times mandou várias notificações sobre a confirmação de Neil Gorsuch na Suprema Corte dos EUA, Vox publicou uma entrevista com um ex-congressita que foi flagrado comprando cocaína de um policial encoberto, 78 pessoas curtiram uma de minhas fotos no Instagram e SoulCycle transmitiu o seguinte alerta: "Clareza. Confiança. Avanços. O que você está procurando [emoji de olhos]? ENCONTRE!"

Mas, em uma das silenciosas salas de tratamento do spa do Mandarin Oriental, em Nova York ? 35 andares diretamente acima do maior sistema de trânsito do mundo ? eu não vi nada disso. Enquanto o terapeuta Jim Patrick explicava os supostos benefícios para a saúde da shungite, um antigo mineral russo formado principalmente por carbono, meu telefone tocava e apitava, guardado nos confins de um "saco de dormir" de neoprene atrás da recepção do spa.

Eu abandonei o aparelho naquele dia para experimentar o Digital Wellness Escape do Mandarin, um pacote de spa de 80 minutos elaborado para pessoas bem-sucedidas a fim de "aliviar estresses e tensões causadas pelo uso frequente de aparelhos digitais", de acordo com a descrição oficial. O tratamento (US$ 240 - US$ 365) começa com um banho de banheira com shungite a fim de ajudar o corpo a eliminar os "radicais livres que absorvemos através da tecnologia". Após o banho, ele termina com uma massagem pontual para compensar o desequilíbrio postural e o estresse repetitivo provocados por passar horas a fio jogando Candy Crush.

Afastar-se sem ir longe

A ideia de descansar da tela costuma ser associada a destinos remotos e ensolarados que inspiram naturalmente alguém a se desconectar. Pensa-se na Costa Rica, onde tanto o Four Seasons Resort Costa Rica quanto o Nayara Springs oferecem programas de desintoxicação digital; no Vietnã, onde a Intrepid Travel realizará uma de suas expedições sem celular Digital Detox neste ano; ou até mesmo em uma remota cabana em um bosque, a inspiração por trás das pequenas casas de férias estilo Walden da Getaway, todas equipadas com um cofre para guardar o telefone celular.

Mas e as pessoas que não podem nem conceber a ideia de passar horas sozinhas na floresta apenas com os instrumentos necessários para acender uma fogueira e livros sobre como atar nós? Será mesmo necessário fugir fisicamente do dinamismo furioso da vida urbana para se desligar do e-mail corporativo?

De jeito nenhum, disse Jeremy McCarthy, diretor de spa e bem-estar do Mandarin Oriental, que ajudou a comandar a programação Digital Wellness da marca. Na verdade, é nas cidades que esses programas são necessários ? o ritmo de vida é mais acelerado e as pessoas tendem a estar mais conectadas ? não umas às outras, mas a seus aparelhos", disse ele. No retiro organizado pela empresa em Las Vegas no quarto trimestre, relembra ele, "uma mulher se aproximou e disse: 'Já que não posso checar meu telefone, vou conversar com vocês.'"

McCarthy não é o único a pensar assim. Em uma era em que é impossível atualizar o Twitter sem encontrar mais um caso de "autoajuda" ? uma era marcada por camas de US$ 100 para celulares ? não surpreende que o setor turístico também tenha entrado na onda da consciência plena. Tanto os quartos para sessões de meditação (como os que são oferecidos pelo MNDFL no Park Hyatt New York) quanto os tratamentos de desintoxicação digital ressaltam o mesmo tema escapista global: se afastar é ter a sensação de descanso palpável das dificuldades das tarefas do dia a dia.

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