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Análise: Economia francesa não vai decolar sob Macron

Pascal-Emmanuel Gobry

(Bloomberg) -- Os mercados avançaram após a vitória de Emmanuel Macron no primeiro turno da eleição e devem subir novamente na segunda-feira se, como esperado, ele for declarado o novo presidente da França. Mas os investidores não devem esperar que o governo Macron traga forte crescimento econômico para o país.

A primeira barreira a ser superada por Macron será a formação de maioria no Congresso. Sob a constituição da Quinta República, o presidente é eleito pelo voto popular e essa legitimidade faz dele um agente político importante. Mas as políticas públicas são executadas pelo primeiro-ministro e pelo ministério, que respondem à Assembleia Nacional (equivalente à Câmara de Deputados), que será eleita em junho. Sem maioria na Assembleia Nacional, o presidente não chega a ser figura decorativa, mas seus poderes em termos de políticas domésticas ficam seriamente abalados.

É improvável que Macron consiga essa maioria. Seu partido, En Marche!, foi formado recentemente e pode ser adequado para vencer uma eleição nacional com grande cobertura da mídia, mas eleições parlamentares são assuntos locais.

Macron tentará costurar um acordo com um dos principais partidos --o Socialista, de centro-esquerda, ou o Republicano, de centro-direita--, mas isso limitará suas opções em termos de políticas públicas. Ou a Assembleia Nacional pode ficar em um impasse e, neste caso, Macron precisaria apontar um ministério que ficaria sujeito a voto de não confiança a qualquer momento.

Mesmo se Macron encontrar um meio de obter maioria e os poderes mais amplos que a constituição francesa investe na presidência, não há razão para crer que ele implementará reformas que produzam crescimento econômico.

A lentidão da economia francesa se deve a restrições de oferta e demanda. Do lado da demanda, Macron prometeu cumprir as metas europeias de déficit e endividamento, ganhando aplausos em Berlim, mas sinalizando que haverá dificuldade em adotar qualquer pacote de estímulo significativo.

Do lado da oferta, embora a conversa de Macron sobre a necessidade de reformas soe bem, as propostas dele diferem muito pouco do status quo. Ele propõe cortar 60 bilhões de euros (US$ 65 bilhões) em gastos públicos ao longo do próximo mandato parlamentar, incluindo 15 bilhões em restituições ligadas a saúde, o que certamente criará polêmica.

Ele propõe reduções modestas nos impostos sobre a folha de pagamento, bancados por um acréscimo no imposto de renda vinculado à seguridade social. A maior ambição dele é baixar a alíquota do imposto de pessoa jurídica de 33 por cento para 25 por cento.

A agenda dele mal aborda os principais problemas do lado da oferta, que são as barreiras à entrada em determinados setores e profissões, como varejo, farmacêutico e outras áreas de saúde e advocacia, além da burocracia ambiental.

As aspirações de Macron, aparentemente, são ajustes modestos, cortes e compensações que alegram o setor corporativo e financiam um estado de bem-estar social tecnocrático. Neste sentido, ele se empenha para chegar ao Reino Unido de Tony Blair.

Blair teve um bom histórico na economia, mas para haver um Blair, antes houve uma Margaret Thatcher, que acabou com os cartéis que travavam a economia britânica. E a França não teve uma Thatcher. Macron é o queridinho dos mercados agora, mas pode decepcioná-los.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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