Funcionários acusam WeWork de maus-tratos

Ellen Huet

(Bloomberg) -- WeWork, a maior empresa de coworking do mundo, aluga espaço de escritório em 140 lugares do planeta, o que significa que suas necessidades diárias são básicas, mas essenciais: internet de bom funcionamento, salas de reunião limpas e café fresco.

Para satisfazer a seus atuais clientes e conquistar outros, a WeWork contrata um pequeno exército de "funcionários da comunidade", e são essas pessoas que administram os espaços da WeWork todos os dias. Esses 1.200 empregados equivalem a mais da metade da folha de pagamento da empresa. No entanto, enquanto a WeWork passava de ter 350 empregados a 2.200 em dois anos, alguns funcionários da comunidade disseram que foram explorados, mal remunerados e categorizados erroneamente para não poder receber por horas extras.

Administrar uma folha de pagamento de rápido crescimento foi um desafio para a WeWork. A companhia foi atacada por um número crescente de acusações por remuneração injusta, categorização errônea de trabalhadores e outras formas de maus-tratos de funcionários. Algumas levaram a processos judiciais, e agora a empresa está sendo investigada por autoridades estaduais e federais dos EUA.

Uma ex-funcionária processou a empresa há um ano alegando que deveria receber pagamento por horas extras. No ano passado, a WeWork resolveu um caso em mediação com outro ex-funcionário da comunidade, de acordo com uma pessoa que recebeu informações sobre o assunto, mas não tinha autorização para falar a respeito. Uma terceira disse que planeja dar entrada em um processo em breve. Para alguns desses trabalhadores, o glamour de um emprego na WeWork, companhia atualmente avaliada em US$ 18 bilhões, eclipsou inicialmente a possibilidade de que eles não estivessem recebendo uma remuneração justa.

As políticas de mediação da companhia estão sendo analisadas pelo Conselho Nacional de Relações de Trabalho dos EUA (NLRB, na sigla em inglês), e seus acordos de não concorrência estão sendo investigados pela procuradoria de Nova York. No último trimestre do ano passado, como parte de um acordo relativo a outro caso da NLRB, a companhia reescreveu o manual para seus funcionários a fim de eliminar alguns trechos excessivamente abrangentes.

Executivos da WeWork afirmam ter passado o último ano tentando satisfazer os trabalhadores: elevaram a remuneração, esclareceram cargos de trabalho e ofereceram recompensas pouco tradicionais aos funcionários, como viagens para a Austrália. Eles admitiram que a expansão acelerada deixou os funcionários da comunidade trabalhando pesado sem muita orientação nem treinamento adequado, mas informaram que os problemas foram resolvidos. "Aquelas questões já foram superadas, e elas ficaram para trás há quase um ano", disse o presidente da WeWork, Artie Minson.

Entrevistas com mais de uma dúzia de ex-funcionários da WeWork, sete dos quais trabalharam na empresa no ano passado, refletem as acusações e sugerem que alguns problemas persistem. Ex-empregados descrevem uma empresa caótica e desorganizada, que atrai funcionários jovens com equidade em uma startup ambiciosa e a promessa de um lugar onde você pode "fazer o que você ama", um lema da companhia. Mas espera-se que eles trabalhem durante muitas horas, que estejam prontos para se voluntariar para mais e lhes dizem que "deem mais duro", outro slogan frequente nas paredes dos escritórios da WeWork. Os funcionários continuam vinculados à mediação obrigatória e a acordos de não concorrência. Quatro funcionários atuais da WeWork, disponibilizados pela companhia para conversar com a Bloomberg, disseram que trabalhar como funcionário da comunidade é desafiador, mas gratificante. Muitos ex-funcionários falaram apenas com a condição de anonimato por medo de retaliação por parte da companhia.

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