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Detroit procura imitar Vale do Silício para recrutar talentos

Keith Naughton, David Welch e Jamie Butters

(Bloomberg) -- Detroit precisa de mais pessoas como Victoria Schein. Menos de um ano depois de se formar no Smith College, a engenheira de software de 23 anos solicitou 14 patentes e recebeu nove como parte da equipe de pesquisa sobre veículos sem motorista da Ford Motor.

Schein, que se descreve como uma "garota da Califórnia" louca por carros, ex-estagiária da Ford no centro de pesquisa da empresa no Vale do Silício, recusou algumas ofertas de trabalho invejáveis e foi para Dearborn, Michigan, nos EUA, para trabalhar em tempo integral na montadora.

"Não é que eu não queira estar em Palo Alto, eu adoro a Califórnia", diz ela. "Mas quando eu cheguei aqui, isso me abriu os olhos para muitas possibilidades."

Schein é a exceção. Enquanto as fabricantes de carros competem com empresas como Apple, Uber Technologies e Waymo, a unidade da Alphabet, para automatizar a condução, a maioria dos melhores talentos continua se concentrando no oeste do país, onde os salários são mais altos e o clima é melhor, entre outras coisas. As três grandes empresas de Detroit e outras fabricantes de veículos contam com cerca de 5.000 vagas em desenvolvimento de produtos de software e eletrônica nos EUA, que representam cerca de um terço de suas vagas não preenchidas, estima a consultoria AlixPartners.

"Este é um desafio enorme", disse Ben Dollar, diretor da Deloitte Consulting que assessora fabricantes de veículos sobre recrutamento. "A escassez de talentos nesta área é tão aguda que se tornou um problema para o CEO, não apenas para recursos humanos."

Vantagens

A vantagem de Detroit é a capacidade de levar carros inovadores para as ruas relativamente rápido. Isso pode ser atraente para jovens fãs da tecnologia automotiva determinados a mudar o mundo. Depois estão o custo de vida, que em Detroit é baratíssimo em comparação com o do Vale do Silício, e os apartamentos urbanos modernos que estão brotando entre as duras ruas do centro da cidade.

A fim de atrair mais talentos direto da universidade Detroit está se transformando completamente para ficar parecida com o Vale do Silício. A General Motors gastará US$ 1 bilhão para renovar seu Tech Center, de 60 anos, em um subúrbio ao norte da cidade. A Ford renovará seu campus em Dearborn, da década de 1950, para acrescentar espaços verdes, trilhas para caminhada e designs ecológicos, como uma torre cilíndrica de vidro chamada de "Vitrine da Sustentabilidade".

Pensamento

Mas para muitos dos que estão impregnados com as velhas práticas de Detroit essa maneira de pensar ainda é algo difícil de entender, disse Michael Held, diretor do escritório automotivo da AlixPartners. As fabricantes de veículos também se mostram relutantes a oferecer grandes bonificações para novos recrutas. Em vez disso, elas preferem oferecer benefícios e salários sólidos.

Por enquanto, as fabricantes de carros esperam mais recrutas como Victoria Schein. Afinal, Detroit é o centro do universo da cultura automotiva, a cerveja artesanal local é excelente e o custo de vida é insuperável.

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