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Theresa May usa seu próprio nome como marca na eleição britânica

Robert Hutton e Alex Morales

(Bloomberg) -- "EQUIPE DA THERESA MAY", gritava o banner de um evento de campanha em Londres. Em letras muito menores, abaixo, figurava o nome do Partido Conservador.

A ênfase em sua marca pessoal não apenas faz sentido do ponto de vista eleitoral -- a primeira-ministra é muito mais popular do que o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, antes das eleições de 8 de junho. Mas também deixará os parlamentares em dívida com ela no que diz respeito à votação do acordo do Brexit.

May convocou eleições antecipadas semanas depois de os membros do Partido Conservador se rebelarem e ressaltarem a fraqueza dela ao forçarem a primeira-ministra a cancelar uma política orçamentária central -- um aumento de impostos para empregados autônomos. Com essa eleição, o objetivo dela é conseguir uma maioria mais ampla e comportada.

"Para todos os novos membros do Parlamento, mais importante do que suas atitudes pré-existentes será o fato de serem da 'equipe Theresa May'", disse Philip Cowley, autor do livro "The Rebels", um estudo sobre disciplina parlamentar. "Isso os tornará mais submissos."

Os discursos de May são cheios de referências à própria primeira-ministra, mas contêm poucas menções ao partido que ela assumiu após o fracasso da tentativa de David Cameron de convencer os eleitores a permanecerem na União Europeia. Um comunicado à imprensa enviado para anunciar o plano do partido para colocar um limite para as contas de luz dá uma noção da mudança: o texto utiliza a palavra "Conservadores" três vezes, contra sete aparições de "Theresa May".

Uma leoa

"Uma das coisas que se escuta por aí é que existe um enorme respeito pela primeira-ministra como líder", disse David Lidington, ministro responsável pelo avanço dos assuntos do governo no Parlamento, em entrevista após discurso de May na segunda-feira, em Harrow, a noroeste de Londres.

"Você certamente ouve isso de apoiadores firmes do Partido Conservador, mas também de pessoas que no passado votaram por outros partidos. A campanha reflete essa realidade", acrescentou ele.

As respostas da última pesquisa eleitoral dão uma ideia de por que a campanha de May ganhou um tom presidencial. Uma amostra de 1.000 adultos foi indagada sobre que tipo de animal cada líder seria: May, uma leoa. Jeremy Corbyn, um cachorro. Essa pesquisa para o programa "Good Morning Britain", da emissora ITV, apontou que um em cada cinco eleitores que planejam votar no Partido Trabalhista ainda considera que May é melhor para ocupar o cargo de primeira-ministra.

Apesar de o Partido Conservador ter uma margem de 22 pontos sobre o Partido Trabalhista, segundo uma pesquisa da ICM divulgada na segunda-feira, a liderança dela sobre ele é ainda maior.

No lançamento de sua campanha eleitoral em Manchester, na terça-feira, Corbyn agirá de maneira diferente, contando que as pessoas votarão no partido acima de tudo. "Quando o Partido Trabalhista vence, o povo britânico vence", dirá ele, segundo trechos do discurso divulgados antecipadamente.

"Não há razão para não ressaltar a diferença entre ela e um francamente desorganizado Jeremy Corbyn", disse Kwasi Kwarteng, que defende o assento seguro dos Conservadores de Spelthorne, ao sul de Londres. "É uma diferença muito gritante e quando a escolha é apresentada às pessoas, Theresa May vai muito bem. Eu prefiro não repetir o que as pessoas dizem sobre Corbyn pelas ruas."

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