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Aumenta pressão para acelerar juros nos EUA: Bloomberg Prophets

Tim Duy

(Bloomberg) -- A taxa de desemprego nos EUA continua caindo e chegou a 4,4 por cento em abril. A estimativa mediana do banco central (Federal Reserve), de 4,5 por cento do fim de 2017 até 2019, mais uma vez se mostrou otimista. Mas será que isso levará os integrantes do Fed a subir a projeção para a taxa básica de juros na próxima reunião de política monetária?

Não necessariamente. São muitas variáveis flutuantes que compõem a previsão do Fed e é bem provável que pelo menos uma delas compense o impacto da queda da taxa de desemprego. Se não houver essa compensação, então o banco central aposta pesado que a economia está próxima de um ponto de virada que exige maior aperto monetário, para assim diminuir a chance de superaquecimento.

É improvável que a atual previsão do Fed para a taxa de desemprego sobreviva ao próximo Resumo de Projeções Econômicas. Tudo o mais constante, uma revisão para baixo na estimativa contida nesse relatório faria pressão baixista sobre as expectativas para os juros. Existe até possibilidade de o ponto mediano das estimativas dos integrantes do Fed para a política monetária adequada subir em mais 0,25 ponto percentual. Isso abriria caminho para um quarto acréscimo nos juros em 2017.

Porém, tudo o mais não será constante. A previsão de juros do Fed também depende das estimativas para a taxa natural de desemprego, a inflação e o juro neutro. Presumo que o último não mudará porque já houve várias revisões grandes nos últimos anos. Assim, os dois primeiros fatores é que estão em jogo. E as previsões atuais do Fed para ambos parecem vulneráveis no momento.

As autoridades já demonstraram disposição para diminuir a estimativa para o desemprego natural no passado, quando a expansão persistentemente lenta dos salários e a inflação baixa sugeriam que as estimativas anteriores eram altas demais. Mas e agora? Até que ponto estão dispostos a reduzir essa estimativa?

A manutenção da previsão mediana para os juros diante da esperada redução na previsão para a taxa de desemprego provavelmente significa que alguns integrantes do Fed estão se abrindo à ideia de a taxa neutra de desemprego (por definição, a taxa que não acelera a inflação) estar abaixo de 4,5 por cento. Seria uma ideia que implica política monetária bastante branda.

No caso da inflação, o núcleo do índice de preços desabou em março, ameaçando a atual previsão do Fed para 2017, de 1,9 por cento.

A meu ver, a peça mais importante deste quebra-cabeça é a estimativa do Fed para a taxa natural de desemprego. Se o indicador se mantiver constante, as autoridades estarão revelando muita confiança em suas estimativas de pleno emprego. Se houver também redução da previsão para a taxa de desemprego, isso vai sugerir temores de que a diminuição da ociosidade na economia logo causará superaquecimento e pressões inflacionárias. Seria uma ideia que sugere política monetária agressiva e um quarto aumento nos juros neste ano.

Resumidamente, o que importa para os investidores? Primeiramente, o Fed entende que a fraqueza do PIB dos EUA no primeiro trimestre foi transitória. Seus integrantes devem prever continuação da sólida criação de vagas. Isso daria mais justificativa à redução da estimativa para o desemprego. Em segundo lugar, os dados de inflação vão mostrar se o recuo de março foi temporário. É provável que o Fed trabalhe com esta hipótese e isso permitiria à instituição manter a previsão para os juros. Por fim, é preciso monitorar sinais de que o banco central está reconsiderando sua estimativa para a taxa natural de desemprego. O grau de convicção deles no intervalo de 4,5 por cento a 5 por cento parece crítico nesta conjuntura.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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