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Importadores mexicanos de combustível analisam riscos de roubos

Amy Stillman

(Bloomberg) -- As empresas estrangeiras que buscam fornecer gasolina para o México estão reavaliando os investimentos planejados após uma série de roubos de combustível que culminou com um banho de sangue na semana passada no estado de Puebla.

Um tiroteio ocorrido em 3 de maio entre soldados e huachicoleros, apelido local dos ladrões de combustível, deixou 11 mortos e um número ainda maior de feridos e gerou protestos em Puebla, onde os dutos são muitas vezes interceptados por ladrões de gasolina. Empresas que buscam importar combustível dos EUA para o México, como a Howard Energy Partners e a BioUrja Trading, estão preocupadas com a escalada do problema.

"Isto faz parte de uma tendência preocupante que os investidores analisarão e precificarão nas ofertas que realizam e no montante de investimento que decidirão colocar no México", disse John Padilla, diretor-gerente da consultoria de energia IPD Latin America, por telefone, de Bogotá.

Os roubos de combustível aumentaram nos últimos 12 meses no México depois que o governo aboliu os subsídios. A política conhecida como "gasolinaço" elevou em até 20 por cento os preços nas bombas no início de 2017 e gerou tumultos e bloqueios em alguns terminais de combustíveis. A Petroleos Mexicanos tem coberto os custos associados com os roubos, mas não está claro se a estatal tentará repassá-los aos importadores privados futuramente.

"Os roubos de combustível são uma preocupação significativa de muitas empresas que estão entrando no México e não temos conhecimento de nenhuma medida do governo para tentar ajudar a diminuir esse risco", disse Rajan Vig, chefe de originações da BioUrja para o México, por telefone, de Houston. A BioUrja busca importar combustível para o México e está negociando com o governo e com os bancos para resolver o problema do roubo de combustíveis, mas "precisamos que o governo esteja do nosso lado", disse ele.

As conexões ilegais aumentaram no ano passado, gerando a perda de 2,2 bilhões de litros, 24 por cento a mais que em 2015. A desativação de conexões ilegais nos oleodutos custou cerca de US$ 220 milhões à Pemex nos últimos seis anos, quantia que mais que decuplicou ao longo do período, publicou o jornal mexicano Milenio na segunda-feira, citando dados da Pemex.

"Esta é uma preocupação muito grande para nós", disse Mike Howard, CEO da Howard Energy, que está construindo um complexo de dutos de produtos refinados no norte do México, por telefone, de San Antonio. "Nós analisamos todos os tipos de medidas de segurança, inclusive drones, câmeras na superfície, tudo o que você possa imaginar para proteger o produto."

A companhia também está investindo em uma tecnologia avançada de detecção de vazamentos e estudando a possibilidade de enterrar seus dutos mais fundo em alguns lugares. Os oleodutos da Pemex estão enterrados perto da superfície e os huachicoleros normalmente os desenterram usando pás.

"Esta é uma conversa em andamento que estamos tendo com nossos clientes e com as partes interessadas no México", disse Howard.

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