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Análise: Novo Echo da Amazon é aposta na sucessão do celular

Shira Ovide

(Bloomberg) -- A maioria de nós se lembra de quando não havia smartphones nos bolsos e bolsas de bilhões de pessoas. De antes de esses aparelhos se transformarem no principal computador de milhões de pessoas. Da época anterior à explosão dos smartphones que gerou fortunas para algumas empresas -- Apple e Facebook, por exemplo -- e condenou outras.

Tudo isso aconteceu em menos de uma década. Foi incrivelmente rápido. E agora as empresas já estão vislumbrando o futuro pós-smartphones.

Na terça-feira, a Amazon.com lançou o modelo mais recente de sua linha Echo de alto-falantes domésticos com computador ativado por voz embutido. O destaque desse novo Echo Show é uma tela sensível ao toque como um smartphone e a capacidade -- por alguma razão -- de realizar chamadas de videoconferência sem um telefone. Sejamos francos: o novo Echo é feio. E muitos de nós sentimos arrepios diante da ideia de colocar em nossas cozinhas e quartos um computador que escuta e fala o tempo todo.

Mas a realidade atual do Echo -- e de outras tecnologias ativadas por voz do Google e da Microsoft, da Siri, da Apple, e de outras -- pouco importa. Declarar um vencedor com base em qual empresa vende alguns milhões de aparelhos assistidos por voz não tem sentido. Cerca de 10,7 milhões de clientes da Amazon nos EUA têm um aparelho Echo, segundo estimativas da Consumer Intelligence Research Partners. Como comparação, apenas em 2016 foram vendidos cerca de 1,5 bilhão de novos smartphones no mundo.

Todas essas tecnologias ainda cruas são o esforço das empresas de tecnologia para descobrir o que vem depois do smartphone e qual empresa ditará o futuro, independentemente de como ele será. O Echo Show não é meramente um aparelho de US$ 229 com microfone, câmera e tela de computador. É o equivalente a levantar um dedo no vento para ver para onde ele está soprando.

Lembre que antes de o iPhone decolar, não havia certeza de que os smartphones se transformariam em acesso ao mundo digital ou que o toque dos nossos dedos seria a forma dominante de interagir com os computadores. Da mesma forma que não existe certeza em relação ao que poderá suplantar o smartphone e o controle por meio dos dedos.

No futuro, vamos interagir com os computadores principalmente por meio da voz, como fazemos com a Siri ou com o Amazon Echo? Será por meio de óculos ou lentes de contato que misturam os mundos digital e real -- digamos, um mapa digital que aparece no nosso campo de visão à medida que dirigimos para um restaurante? Viveremos todos na realidade virtual de Mark Zuckerberg? Ou será que vamos interagir com os computadores de maneiras que nem sequer vislumbramos?

Tudo isso está muito no ar. Mas há alguns anos era basicamente inimaginável que a Amazon fosse ter um papel nessa guerra para ditar o futuro digital. É possível -- mas pouco provável -- que você se lembre que a Amazon lançou um smartphone com design próprio em 2014. O telefone Fire trazia algumas novas ideias inteligentes para permitir que as pessoas interagissem com imagens digitais, mas ele nunca decolou. Foi, talvez, o maior fracasso da história da Amazon.

O mérito da Amazon é não ter desistido de tentar entender o futuro. De certa forma, o fracasso da Amazon com os smartphones deu à empresa liberdade para imaginar o que poderia vir após a guerra de sistemas operacionais dos smartphones, que a Amazon tinha perdido. Agora, o Alexa, software ativado por voz da Amazon que controla o Echo, está em muitos milhões de altos-falantes, tablets, carros, eletrodomésticos e muito mais. A Amazon está em posição privilegiada para moldar a forma como interagimos com os computadores.

Quando acredita que uma categoria de produto ou estratégia de negócio é realmente promissora, a Amazon tende a pisar no acelerar independentemente do retorno imediato sobre o investimento. O diretor financeiro da Amazon disse no mês passado que os aparelhos Echo e a Alexa estavam entre os investimentos que a companhia está "dobrando". O Echo pode nunca se transformar em um aparelho para o mercado de massa, mas a Amazon deu a si mesma uma voz para determinar o futuro da computação.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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