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Pimco, Templeton e BlackRock voltam a investir nos "5 frágeis"

Ben Bartenstein

(Bloomberg) -- Os países que o Morgan Stanley cunhou de os "cinco frágeis" não parecem mais tão vulneráveis.

Pacific Investment Management Co. (Pimco), BlackRock e Franklin Templeton são algumas das gestoras que estão comprando ativos nas nações em desenvolvimento que entraram nesta lista em 2013, quando penavam para atrair capital estrangeiro para financiar seus déficits comerciais.

Agora, os déficits em conta corrente - a métrica mais ampla do comércio de bens e serviços - de África do Sul, Brasil, Turquia, Índia e Indonésia são metade do que se via há quatro anos. Seus déficits fiscais também estão diminuindo.

"Observamos enorme melhora nos últimos dois ou três anos", afirmou Yacov Arnopolin, gestor de carteiras da Pimco, em entrevista à Bloomberg TV. "Eles não são mais tão frágeis."

Quem criou o termo foi o Morgan Stanley, em 2013, se referindo a países com elevada necessidade de financiamento externo, que estavam ameaçados pelo aumento dos custos de captação quando o banco central dos EUA (Federal Reserve) retirasse o programa de US$ 70 bilhões mensais em compras de títulos. Esses temores nunca se concretizaram e a queda de preços desses ativos criou oportunidades de compra, de acordo com Pablo Goldberg, gestor de carteiras da BlackRock que tem alocação acima do peso estratégico em títulos de dívida do Brasil.

O déficit em conta corrente desses cinco países encolheu, na média, para 1,8 por cento do PIB, após ter batido o recorde de 5 por cento em 2013, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O aumento das reservas internacionais também dá confiança aos investidores que esses governos poderão defender suas moedas, caso necessário.

Viktor Szabo, gestor de carteiras da Aberdeen Asset Management, afirma estar mais otimista em relação a esses países por causa do pano de fundo externo mais favorável e da aparente estabilidade desses governos. Ele tem alocação acima do peso estratégico em títulos denominados em moeda local do Brasil e da Índia e também em títulos locais e em moeda estrangeira emitidos pela Turquia. Para ele, as preocupações dos investidores em relação à tensão política na Turquia são exageradas. "É um país estável sem risco de não pagar dívida e o banco central é muito agressivo", disse Szabo.

Na África do Sul, a volatilidade implícita da taxa de câmbio em um mês ? métrica para o nível de ansiedade dos investidores ? registrou a maior queda em todo o mundo desde a reforma ministerial promovida pelo presidente Jacob Zuma e a demissão do ministro das Finanças Pravin Gordhan, em março. Para Arnopolin, da Pimco, os novos tecnocratas que assumiram os cargos merecem o "benefício da dúvida".

Stephen Dover, da Templeton, conta que a estabilidade política e os esforços para mudar regras e sustentar o crescimento econômico melhoraram a perspectiva dele para esses cinco países. No Brasil, ele prevê corte da taxa Selic para 8,5 por cento, estimulando o aumento dos empréstimos a consumidores e empresas. Na Índia, as medidas para conter a inflação estabilizaram os déficits fiscal e em conta corrente. Segundo ele, o déficit em conta corrente na Indonésia também parece estar em tendência de queda.

De acordo com Dover, as ações na Turquia ficaram baratas após as notas de classificação de risco terem sido rebaixadas por causa de ataques terroristas, da tentativa de golpe de Estado e do aumento das tensões com a Rússia. Segundo estimativas compiladas pela Bloomberg, a razão entre preço e lucro do índice Borsa Istanbul 100 deve cair para 7,79 vezes em 2018, o que seria o menor múltiplo desde 2009.

"Muitos desses fatores que originalmente atraíram investidores para a classe de ativos voltaram", afirmou Dover, que supervisiona aproximadamente US$ 80 bilhões na divisão de mercados emergentes da Franklin Templeton Investment. "Mesmo em regiões que ainda passam por ajustes e novo balanceamento, vemos melhor visibilidade e cada vez mais sinais de condições econômicas subjacentes robustas."

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