Bolsas

Câmbio

Robôs criados para não machucar gente chegam a fábricas pequenas

Thomas Black

(Bloomberg) -- Os robôs estão em todos os lugares. Eles estocam prateleiras, podam árvores, preparam drinques e entregam o serviço de quarto. Agora, eles também batem o ponto em algumas das fábricas de menor porte, um impulso à fabricação nos EUA e uma possível ameaça nova para os empregos tradicionais da linda de produção.

A onda robótica começou a invadir fábricas automotivas e de outros setores há décadas, mas não chegou às que tinham uma quantidade relativamente pequena de funcionários. Muitas empresas não podiam comprar as máquinas, que não tinham sido criadas para caber em espaços pequenos nem para funcionar muito perto de seres humanos.

Os avanços tecnológicos tornaram os robôs industriais mais compactos e gentis. Modelos colaborativos, integrantes de uma nova geração chamada "cobots", vêm com sensores que impedem que eles machuquem os colegas de carne e osso. Eles também são mais fáceis de montar e mais baratos ? podem chegar a custar apenas US$ 25.000.

"Os robôs acabaram de chegar a um nível de preço acessível para os fabricantes de menor porte", disse Stewart McMillan, CEO da Task Force Tips. "Você pode sentar e, em questão de minutos, assistir a uns vídeos no YouTube e aprender como fazer a programação básica."

Na Task Force Tips, fabricante de bocais para mangueira de incêndio, um robô guiado por visão realiza uma tarefa antigamente executada por uma pessoa: pegar uma válvula inacabada e entregá-la a um colega mecanizado que a insere no processador final. Ao adicionar uma dúzia de robôs nos últimos quatro anos, disse McMillan, ele conseguiu que a empresa familiar continuasse prosperando apesar da concorrência acirrada de países onde os salários são mais baixos, como a China.

E a folha de pagamento da empresa com sede em Valparaiso, Indiana, continuou estável, com cerca de 250 funcionários. A Task Force Tips não demite ninguém quando incorpora um robô, disse McMillan. Os funcionários são recapacitados para outros cargos, como operador de máquina ou técnico. Isso não abala o moral e possibilita que os funcionários vejam as máquinas como uma vantagem, como aparelhos que realizam tarefas menores que são entediantes para as pessoas.

Mas não é isso o que acontece em todas as fábricas. Em geral a automação afetou o emprego pouco qualificado e projeta-se que a robótica vai mudar o futuro do trabalho tão drasticamente que metade dos empregos existentes hoje em dia está em risco. Economistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e da Universidade de Boston concluíram recentemente que tanto o número de empregos quanto o salário caem nas regiões dos EUA onde há uma quantidade maior de robôs instalados.

Ao mesmo tempo, embora os avanços tecnológicos acabem com alguns empregos, eles geram outros. Um estudo da Boston Consulting Group sobre a Alemanha concluiu que a automação inteligente preencherá cerca de 610.000 empregos fabris ? mas criará 960.000 postos novos. Além disso, a automação representa um grande impulso à produtividade, o que possibilita que os salários subam de forma geral.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos