Jogos on-line sangrentos são novo celeiro de jovens xenófobos

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Passe tempo suficiente caçando terroristas ou vagando pelos mundos distópicos dos jogos on-line e você acabará se deparando com jogadores que disparam provocações xenófobas e racistas entre si ? do discurso abertamente islamofóbico na Europa aos jogadores coreanos e japoneses que discutem sobre ilhas em disputa.

Um exemplo é o jogo de atirador "H1Z1: King of the Kill", atualmente o terceiro mais popular na maior plataforma de jogos on-line do mundo. Partidas na Ásia às vezes são interrompidas pelo Exército Vermelho, um grupo de jogadores chineses elogiado pela imprensa local por defender o nacionalismo no jogo. Uma tática envolve encurralar rivais e forçá-los a prestar homenagem à pátria dizendo "China número um". Quem não cumpre é executado.

Suas brincadeiras, e as de pares de diversos países e etnias, estão ganhando notoriedade através de inúmeros vídeos que circulam na internet como a encarnação de um fenômeno dos jogos on-line que ganhou impulso no mundo todo: a propagação da xenofobia e do racismo. Antigamente limitados a consoles na sala de estar, os avanços na velocidade da internet e a tecnologia de vários jogadores agora permitem que milhares de pessoas de todo o planeta entrem na briga, usando fones de ouvido com microfone para gritar de tudo, de estímulos a abusos.

Em títulos famosos como "Overwatch", da Activision Blizzard, e "Rainbow Six Siege", da Ubisoft Entertainment, os jogadores trocam insultos explícitos livremente em padrões que refletem as tensões do mundo real. No entanto, enquanto "Gamergate" expôs a profundidade da misoginia na sociedade e "Grand Theft Auto" desencadeou pedidos para restringir a violência, a xenofobia nos jogos ainda não chamou tanta atenção.

Facebook e YouTube policiam o discurso de ódio para atender às exigências dos anunciantes: o programa de PewDiePie, uma sensação do YouTube, foi cancelado por causa de vídeos com conteúdos considerados antissemitas (ele nega ser racista). Mas no mundo dos jogos on-line, onde a competição é o principal objetivo, para muitos entusiastas os xingamentos e abusos verbais fazem parte das provocações do jogo. Para outros, provocam inquietação.

"Se você fala russo, por exemplo, há um ódio genuíno das pessoas em relação a você", disse Jan, 25, estudante universitário na Dinamarca que joga "Counter-Strike: Global Offensive" e "Rainbow Six Siege" em servidores europeus. "Devido à crise na Síria e à chegada dos imigrantes, se você falar com um sotaque do Oriente Médio, você ouvirá muitas obscenidades também", disse ele, pedindo para não ser identificado porque receia ser alvo de abusos pela internet.

O jogo é a forma de entretenimento mais popular do mundo. Os jogos para celular, console e PC compreendem um setor de US$ 100 bilhões, que supera amplamente a bilheteria de Hollywood e atrai 2,2 bilhões de pessoas ? um terço dos jogadores dos países mais desenvolvidos jogam pelo menos uma hora por dia, estima a empresa de pesquisa Newzoo. Mas os mundos on-line nos quais eles buscam um entretenimento escapista fogem da análise minuciosa dedicada a outras formas de conteúdo visual.

Antigamente vistos como um silo virtual para escapistas, os jogos atuais refletem sensibilidades muito reais. "Pokémon Go", sucesso mundial, chegou às manchetes no ano passado depois que jogadores chineses assumiram um dos muitos pontos virtuais disputados pelos jogadores. Este "ginásio" em particular estava localizado no santuário Yasukuni, de Tóquio, acusado pelos chineses de honrar criminosos de guerra japoneses. Provocando indignação, um dos Pokémon que supervisionam o local foi renomeado "Vida Longa à China".

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