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Chegada de Brigitte Macron ao Eliseu anuncia França sem tabus

Helene Fouquet

(Bloomberg) -- Emmanuel Macron e sua esposa, Brigitte, se mudam para o Palácio do Eliseu e essa parceria não convencional se torna um símbolo das mudanças que o novo presidente pretende realizar na França.

Ela é quase 25 anos mais velha do que ele. Eles se conheceram quando ela era professora de teatro dele no ensino médio. E embora eles não tenham filhos, o presidente de 39 anos é um jovem avô postiço da família da esposa. Contudo, longe de minimizar seu casamento atípico, Macron o transforma em símbolo de sua ousadia, de sua capacidade de desafiar a ordem estabelecida e até mesmo de seus poderes de sedução.

"Essa transgressão pela qual ele lutou quando era jovem em uma França burguesa e provinciana levou ao sentimento de transgressão que impulsionou sua candidatura à presidência", disse Jean Garrigues, professor de História Política da Universidade de Orléans. "A pergunta é: isso continuará funcionando depois que ele assumir o poder?"

Em certo sentido, a eleição francesa foi uma escolha entre dois tipos de casamento muito diferentes -- apesar a rival de Macron no segundo turno ter sido a nacionalista Marina Le Pen, seu principal rival pela maioria dos votos convencionais era o católico conservador François Fillon.

A esposa de Fillon, Penélope, recebeu um salário público para ajudar o marido desde o início dos anos 1980, mas, supostamente, na realidade trabalhou muito pouco. Brigitte foi conselheira não-remunerada de Macron ao longo de sua campanha e agora assume um papel oficial semelhante ao da primeira-dama nos EUA, e mesmo assim não receberá salário.

"Há um profundo desejo de uma renovação da classe política e um desejo de libertar-se das velhas normas sociais e dos antigos códigos de conduta", disse Mariette Sineau, cientista política e socióloga do Instituto Sciences Po em Paris. "A sociedade francesa é muito mais liberal do que as pessoas de fora do país ou até mesmo a mídia percebem."

Papel fundamental

Brigitte, 64, teve um papel fundamental na ascensão vertiginosa do marido de ministro a presidente em menos de um ano, assessorando-o nos discursos e ajudando-o a definir sua agenda. Na verdade, ela é uma figura central desde que eles se conheceram quando ela era professora e ele, um estudante de 15 anos, em uma escola de ensino médio no norte da França.

A abertura em relação a esse relacionamento tornou-se parte fundamental da identidade política do novo presidente, que o usa para chegar a diversos grupos de eleitores. Em uma sessão de entrevistas por Snapchat em abril, um usuário disse que tinha se apaixonado pela professora de Direito e pediu conselho a Macron.

"Primeiro descubra se é recíproco", disse Macron. "Se for, vá em frente! Sem tabus!"

O desafio para o Eliseu é fazer com que o matrimônio de Macron não se torne uma carga política, em um país que às vezes se sente pouco à vontade com a exibição da vida pessoal na vida política. Uma pesquisa da YouGov em 10 de março mostra que 68 por cento dos franceses não estão de acordo em que a primeira-dama tenha um status formal.

"A opinião pública dos EUA é muito mais conservadora em termos de valores, mas aceita mais a vida pessoal das pessoas", disse Mariette Sineau, cientista política e socióloga do Instituto Sciences Po em Paris. "Na França é ao contrário. Macron não deve exagerar seu relacionamento ou poderá haver uma rejeição."

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