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Se os EUA ampliarem proibição de laptops nos voos, será um caos

Justin Bachman e Michael Sasso

(Bloomberg) -- Leve um livro.

Os voos transatlânticos poderiam em breve se tornar uma zona sem aparelhos eletrônicos se as autoridades americanas proibirem, por motivos de segurança, computadores portáteis e outros dispositivos eletrônicos maiores em voos aéreos procedentes da Europa.

As companhias aéreas estão se preparando para um caos operacional nos aeroportos europeus porque o Departamento de Segurança Nacional dos EUA (DHS, na sigla em inglês) afirmou na semana passada que poderia estender para a Europa uma proibição imposta em março para voos provenientes de dez aeroportos do Oriente Médio com destino aos EUA. O novo protocolo de segurança poderia gerar filas de controle de segurança mais longas, maiores atrasos, confusão nos portões de embarque e ainda mais aborrecimentos para os passageiros.

"Eu acho que vai ser extremamente caótico", disse Rich Roth, diretor-executivo da CTI Consulting, uma empresa de segurança dedicada à aviação. Ele prevê que companhias aéreas, aeroportos e autoridades europeias irão pressionar o DHS a rever sua análise de ameaça transatlântica, na esperança de uma estratégia mais tolerante que a proibição atualmente prevista.

"Acho que eles exageraram um pouco na avaliação de risco", disse Roth.

Empresas e seus gerentes de viagens estão extremamente irritados com a proposta de proibição de aparelhos eletrônicos, disse Greg Raiff, CEO da Private Jet Services, operadora de charter com sede em New Hampshire, EUA.

"Imagine uma empresa de tecnologia transferindo funcionários da Europa para os EUA e dizendo aos seus desenvolvedores que eles não poderão usar laptops nos aviões", disse Raiff. "Eu acho que veremos um grande rebuliço da comunidade empresarial em relação a isso."

As empresas não deixarão de realizar viagens transatlânticas, mas a proibição dos aparelhos eletrônicos pode refrear as viagens corporativas quando combinada com outras regulamentações recentes que tornaram as viagens mais onerosas, disse Michael McCormick, diretor-executivo da Global Business Travel Association. Se os passageiros tiverem que se separar de seus computadores -- potencialmente colocando em risco informações corporativas confidenciais --, algumas empresas podem pedir que os funcionários deixem seus computadores em casa.

O risco de perder o laptop -- seja por roubo, dano ou extravio como bagagem despachada -- poderia levar algumas empresas a considerarem a realização de algumas reuniões por Skype ou outros métodos virtuais, disse Andrew Coggins, professor de administração da Faculdade de Administração Lubin, da Universidade Pace. "As pessoas não querem deixar seus laptops", disse ele.

Isso pode ser uma má notícia para as companhias aéreas, cuja rentabilidade depende muito das viagens de negócios.

Esta perspectiva, e a possibilidade de caos nos aeroportos no verão europeu, mobilizou as companhias aéreas na semana passada na tentativa de minimizar o impacto de qualquer proibição mais ampla. Também levou autoridades da União Europeia a convidarem seus pares norte-americanos para uma reunião nesta semana em Bruxelas sobre a ameaça à segurança representada pelos laptops com explosivos, usada pelo governo Trump e por outros para justificar a proibição. Autoridades da UE disseram ao secretário de Segurança Nacional dos EUA, John Kelly, na sexta-feira, que qualquer ameaça terrorista afeta os dois continentes e exige uma resposta coordenada.

David Lapan, porta-voz do DHS, disse em um e-mail que "como nenhuma decisão foi tomada, é prematuro discutir quais restrições adicionais podem ou não ser implementadas".

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