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Apesar de Trump, grandes cidades do mundo buscam carros limpos

Ania Nussbaum

(Bloomberg) -- A indústria automobilística não pode contar com a redução das normas ambientais do presidente dos EUA, Donald Trump, para conseguir escapar da crescente pressão mundial para que os veículos se tornem mais limpos.

Ao invés de órgãos nacionais e internacionais, o grande impulso para a mudança vem de centros urbanos, como Paris, Seul e Cidade do México, e de estados americanos, como a Califórnia, onde as autoridades estão reagindo aos perigos que a deterioração da qualidade do ar gera para a saúde.

"O ar em Londres é letal e eu não vou ficar parado sem fazer nada", disse o prefeito Sadiq Khan em abril, ao anunciar planos para criar uma zona de emissões ultrabaixas em torno do centro da cidade.

As fabricantes de veículos não podem ignorar essas iniciativas, especialmente porque uma parte cada vez maior da população mundial se concentra em áreas urbanas. A iniciativa das cidades ganhou impulso após o escândalo de fraude das emissões da Volkswagen, que deu destaque aos óxidos de nitrogênio que são emitidos pelos veículos a diesel e poluem a atmosfera. Madri, Atenas, Paris e Cidade do México afirmaram que vão proibir esses veículos em suas ruas até 2025.

"Os carros elétricos são o principal motor do nosso esforço tecnológico, porque estamos vendo que muitas cidades e centros urbanos vão se livrar das emissões e porque a tecnologia mais acessível, conhecida e popular vai ser a elétrica", disse Carlos Ghosn, CEO da fabricante francesa Renault e presidente do conselho da japonesa Nissan Motor, em uma entrevista.

Nos EUA, 30 cidades, incluindo Nova York e Chicago, solicitaram a fabricantes de carros o custo e a viabilidade de fornecer 114.000 veículos elétricos, incluindo viaturas policiais, varredoras de rua e caminhões de lixo, para melhorar a qualidade do ar e mostrar a demanda por veículos de baixas emissões.

A Califórnia, o maior mercado automotivo entre os estados dos EUA, está tentando combater a poluição do ar urbano aderindo a rígidos padrões de emissões e promovendo carros com emissão zero, com medidas como um desconto de US$ 7.000 em "veículos limpos". Vários outros estados americanos, incluindo Nova York, seguem os padrões da Califórnia.

Unindo forças

As cidades também estão se unindo no esforço para melhorar a qualidade do ar. Londres e Seul se juntaram a Paris em um plano para fornecer indicadores independentes das emissões de automóveis a fim de medir a poluição na vida real com mais precisão do que as avaliações realizadas por outras autoridades.

Enquanto isso, Trump avalia se os EUA devem permanecer no acordo patrocinado pelas Nações Unidas e assinado em Paris por 200 países há dois anos. O acordo objetiva limitar o aquecimento global, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa -- inclusive de automóveis. A poluição do ar exterior provoca mais de 3 milhões de mortes prematuras por ano, segundo um estudo publicado na revista científica Nature.

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