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Caça mexicana ao grão ameaça US$ 1,3 bi em exportações dos EUA

Jonathan Gilbert, Tatiana Freitas e Jeff Wilson

(Bloomberg) -- O México não vai esperar o presidente dos EUA, Donald Trump, cumprir a ameaça de renegociar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), especialmente no que se refere à importação dos grãos de que o país depende para alimentação e ração animal.

As autoridades mexicanas e os compradores privados de grãos estão procurando fontes alternativas de milho, soja, trigo e arroz. Eles já conseguiram exportadores na Argentina e no Brasil que podem vir a substituir até US$ 1,26 bilhão em oferta dos EUA.

"O México entende que o mundo mudou e precisamos avançar", disse Alejandro Vázquez Salido, diretor da Aserca, a agência do governo mexicano para o comércio agrícola. "Não estamos interessados em operações apenas para 2017. Estamos interessados em relacionamentos de longo prazo."

Nas últimas duas décadas, o Nafta tornou difícil para os agricultores mexicanos competir com as importações baratas de grãos dos EUA. O pacto provocou distanciamento da economia mexicana da agricultura e aproximação da manufatura. Agora a compra de alimentos agrícolas do país está aumentando. Quase todas as aquisições de milho e metade das compras de trigo vêm do outro lado da fronteira norte, assim como a maior parte da soja estrangeira e da carne de porco consumidas no país.

Apesar de não ter sido programada nenhuma reunião para renegociar o Nafta, Trump prometeu alterar o acordo. Isso pode abrir caminho para que os exportadores da América do Sul tomem participação de mercado dos EUA, que é o maior fornecedor de alimentos agrícolas para o México.

Qualquer mudança nos fluxos comerciais afetaria os agricultores dos EUA -- cujos votos ajudaram a colocar Trump na Casa Branca -- numa época em que eles já enfrentam preços deprimidos dos alimentos agrícolas, altos níveis de endividamento e lucros menores.

26 milhões de toneladas

O objetivo é que o México comece a receber parte do total de 26 milhões de toneladas de suas importações de alimentos agrícolas de outros países além dos EUA, país que atualmente responde pela maior parte das importações mexicanas, disse Salido. Alguns acordos já estão em andamento. Nesta semana, uma empresa mexicana de criação de animais assinou contrato para importação de dois navios carregados de milho do Brasil em agosto, totalizando 60.000 toneladas, e os moinhos de trigo mexicanos esperam três ofertas para envios de testes da Argentina.

Em 2016, os exportadores dos EUA enviaram 2,76 milhões de toneladas de trigo para o México, carga avaliada em US$ 611,5 milhões, e cerca de 13,9 milhões de toneladas de milho foram enviadas para o país, avaliadas em US$ 2,58 bilhões, mostram dados do governo. A perda desse mercado de exportação poderia reduzir ainda mais os lucros no momento em que a renda agrícola já tem projeção de queda pelo quarto ano consecutivo, na primeira vez que isso acontece desde os anos 1970.

É pouco provável que todos os carregamentos percam o México como cliente neste ano, mas há sinais de que pode haver algum impacto imediato sobre a demanda por produtos dos EUA.

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