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Banqueiros terão de se acostumar a Luxemburgo após o Brexit

Stephanie Bodoni

(Bloomberg) -- A minúscula Luxemburgo está atraindo gigantes como o JPMorgan Chase e a seguradora American International Group, que têm interesse em firmar presença na União Europeia depois que o Reino Unido sair do bloco.

Muitos acham o Grão Ducado um paraíso poliglota. Outros recomendam que os futuros moradores não esperem o estilo de vida cosmopolita ao qual se acostumaram em Londres e que se preparem para horas de congestionamento.

O país já está lotado de bancos e firmas de investimento, apesar da suspensão das leis de sigilo bancário que transformaram a economia local, que ainda era focada em carvão e aço após a Segunda Guerra Mundial.

Depois do Brexit, "será uma loucura", disse o motorista de táxi José Pedro Fernandes, português de 56 anos que veio para cá há 15 anos e ganha a vida transportando profissionais do setor financeiro pela capital ? que não tem metrô e conta com um serviço de ônibus insuficiente.

O trânsito se tornou "insuportável", segundo Fernandes, por causa de obras por toda parte para construção de uma linha de trem e novos escritórios na Cidade de Luxemburgo, capital do país mais rico da UE.

Em março, a AIG informou que vai inaugurar operações em Luxemburgo após a saída do Reino Unido do bloco. Outra seguradora americana, a FM Global, a seguradora Hiscox (pertencente ao Lloyd's of London) e a firma de private equity Blackstone também escolheram Luxemburgo como seu novo porto na UE. Neste mês, o JPMorgan anunciou planos para transferir centenas de profissionais de Londres para escritórios expandidos em Luxemburgo, Dublin e Frankfurt.

Luxemburgo ainda é o segundo maior mercado de fundos do mundo, atrás somente dos EUA. A adoção de regulamentações da UE para a chamada administração de fundos por passaporte e outros serviços aumentaram o total de ativos sob gestão de seus bancos.

A questão de passaporte é importante após o Brexit porque esse instrumento autoriza firmas estrangeiras baseadas em um local como Luxemburgo a fazer negócios no bloco (que logo terá 27 nações) e também em Liechtenstein, Islândia e Noruega.

Bolinhos de fígado e residências milionárias

Cultural e socialmente, Luxemburgo vem tentando atender às exigências crescentes de sua população abastada e se prepara para a chegada maciça de profissionais de Londres.

Banqueiros muito bem pagos não vão morrer de fome. Luxemburgo não tem grande oferta de sanduíches, mas tem 11 restaurantes com estrelas pelo Guia Michelin, que servem iguarias regionais como chouriço e bolinhos de fígado, acompanhados de Pinot Gris.

Contudo, Luxemburgo ainda está a anos-luz de distância da capital britânica quando se trata de entretenimento. No ano passado, Londres foi considerada a melhor cidade do mundo em qualidade de vida, à frente de Paris e Nova York, segundo pesquisa da PricewaterhouseCoopers.

Residências de alta qualidade, com dois ou mais quartos e próximas do centro de Luxemburgo, custam mais de 1 milhão de euros. Para muitos, não é possível pagar pela casa própria ou pelo aluguel na região central. O preço que essa gente paga para ter mais espaço é uma longa jornada diária para trabalhar, dirigindo desde a Bélgica, França ou Alemanha. Isso significa se juntar ao congestionamento de Porsches e Audis que faz parte do cotidiano de tantos profissionais. São 177.000 pessoas que entram e saem do país todos os dias para trabalhar em Luxemburgo.

Quem fica mais perto do centro tem menos espaço, mas pode chegar ao lindo centro histórico (parte dele é Patrimônio Mundial da UNESCO) em poucos minutos. As escolas de Luxemburgo, muitas delas públicas, têm orientação internacional e são outra grande vantagem para profissionais que acham importante que seus filhos falem diversos idiomas, disse Nicolas Mackel, presidente da associação Luxembourg for Finance.

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