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Google tenta alcançar Amazon na disputa por assistente digital

Mark Bergen

(Bloomberg) -- Esta é a visão do Google sobre o futuro da computação: quando estiver voltando para casa depois do trabalho, diga a seu carro "Ok, Google" para acionar o Assistant da empresa. Você pede comida, o ajudante digital lida com a transação e garante que tudo esteja pronto quando você chegar em casa.

Neste momento, a Amazon e seu assistente digital Alexa estão mais perto de alcançar este objetivo, porque a empresa fechou um negócio neste ano com a Ford Motor para que os motoristas possam pesquisar, comprar e controlar outros dispositivos por comandos de voz em seus veículos.

Este é apenas um dos aspectos em que a Amazon está superando o Google na corrida para infiltrar um assistente digital na vida dos consumidores. Além disso, a Amazon tem um negócio de comércio eletrônico líder bem adaptado a este novo mundo, com uma enorme rede de entrega para despachar com rapidez as encomendas dos clientes ? área em que o Google tem tido dificuldade. Os alto-falantes Echo da Amazon, lançados em 2014, deram a Alexa uma liderança precoce com milhões dos usuários em casa, e o dispositivo Home do Google só saiu no fim do ano passado.

"A Amazon meio que conseguiu essa liderança em 2014 porque tentava vender mais coisas às pessoas de maneiras novas", disse Brian Roemmele, fundador do ReadMultiplex.com, site sobre computação e comércio por voz. "O Google pretende que sua experiência de pesquisa on-line evolua para dispositivos que têm uma voz. Essa filosofia limita sua capacidade de ir atrás da Amazon."

Um aspecto central do apelo do Alexa: a Amazon tem milhares de aplicativos ativados por voz em funcionamento, muito mais que o Google. A unidade da Alphabet usou sua conferência de desenvolvedores I/O desta semana para tentar reduzir a liderança da Amazon atraindo programadores qualificados, capazes de construir ferramentas e serviços que tornem o Google Assistant mais útil.

"O Google tem uma compreensão melhor porque já trabalha com IA há muito mais tempo", disse Patricia Carando, desenvolvedora de tecnologia móvel que participou da conferência I/O. Ela está trabalhando em uma habilidade para Alexa, mas estava aprendendo a criar uma ação para o Google Assistant nas aulas de codificação do evento na quinta-feira. Os consumidores vão acabar escolhendo um assistente digital "e vão ficar com ele", o que levará os desenvolvedores a criar majoritariamente nessa plataforma, acrescentou ela.

Uma grande preocupação do Google é que mais pessoas optem pelo aparelho da Amazon ou por um possível dispositivo de algum outro concorrente, como a Apple.

O Google está se esforçando para mostrar que é fácil usar suas ferramentas. Durante uma demonstração da I/O para uma plateia lotada de desenvolvedores na quinta-feira, um engenheiro do Google criou uma ação simples para o Assistant que ligou um conjunto virtual de lâmpadas e tornou-as verdes com comandos de voz. A empresa está trabalhando em "o que é ser uma máquina de lavar", disse o engenheiro, o que arrancou risadas de alguns na plateia.

O Google também está trabalhando em o que é ser um assistente. Organizar informações da internet e construir as bases para aplicativos é um terreno familiar. Discernir o que os consumidores querem ouvir de seus dispositivos ativados por voz é um campo novo. Em outro painel durante a semana, engenheiros do Google mostraram aos desenvolvedores uma lista de critérios que a empresa usa para decidir quais ações e outros dados devem surgir no novo mundo do Assistant. Entre eles, perguntas sobre se os usuários finais tiveram que repetir solicitações, se aprenderam algo ou se "LOL" (riram alto). A empresa raramente expõe diretrizes tão específicas. Ela tem fama de ser sigilosa em relação a esse tipo de critério quando se trata dos resultados de pesquisas, para evitar que desenvolvedores de sites manipulem o sistema e estraguem a experiência. O fato de que o Google esteja sendo tão aberto mostra o quanto a empresa está ávida para conquistar um novo exército de desenvolvedores externos para os recursos ativados por voz.

"Por favor, pensem nessas coisas", disse Valerie Nygaard, gerente de produto do Google, à plateia. "Estas são as perguntas que nós nos fazemos."

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