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Briga pelo futuro do Reino Unido está no país do uísque

Rodney Jefferson e Alan Crawford

(Bloomberg) -- É uma manhã úmida das Terras Altas em Forres e o único vestígio da eleição do Reino Unido na rua principal da cidade é uma bexiga amarela murcha do Partido Nacional Escocês que jaz sob a chuva.

Na esquina, Douglas Ross, candidato do Partido Conservador, seu cachorro dálmata e cinco ativistas com casacos impermeáveis azuis iguais vão de porta em porta tentando convencer os eleitores a se desprender de suas inibições remanescentes e elegê-lo como seu membro do Parlamento do Reino Unido. O distrito foi dominado pelo SNP, que defende a independência, durante os últimos 30 anos depois que o partido de Ross foi vilipendiado pelo fim da indústria pesada da Escócia e pelo desemprego em massa.

"Parece que as pessoas já não se sentem constrangidas por serem eleitores conservadores", disse Ross, 34, que disputou e perdeu duas vezes a cadeira de Moray nas eleições no Reino Unido. Desta vez, os moradores estão "fartos" dos nacionalistas e Ross diz que, embora não se entusiasmem com a saída da União Europeia, eles não acreditam que romper com o restante do Reino Unido seja a solução.

"As pessoas defendem mais o lugar da Escócia no Reino Unido do que o lugar da Escócia na UE", disse Ross.

O resultado da disputa nesta região rural do norte da Escócia, a uns 965 quilômetros de Londres, poderá dizer mais sobre o futuro político e constitucional do Reino Unido do que qualquer outro nas eleições gerais britânicas, no dia 8 de junho.

Com a campanha interrompida por causa do ataque terrorista em Manchester, as pesquisas mostram que a primeira-ministra Theresa May vai ganhar de lavada, porque os eleitores respondem à sua súplica para aumentar a maioria conservadora e fortalecer sua posição nas negociações do Brexit sobre a saída da UE. A Escócia, porém, tem uma dinâmica política diferente. Aqui, rejeitar o dogma conservador tem sido a norma, e a principal divisão agora é sobre a independência versus a sobrevivência de uma união de 310 anos com a Inglaterra e o País de Gales que nenhum líder britânico tem cacife para sacrificar.

Em uma era que, segundo May, será definida pelo Brexit, a Escócia, que foi às urnas para defender a permanência na UE, agora precisa decidir se quer ser o último bastião da resistência ou cair junto com o restante do país.

Tudo se resume a abafar os dissidentes mais fortes, mas para fazer isso os Conservadores, conhecidos como Tories, precisam conseguir vitórias de dois dígitos, de acordo com Andrew Crines, conferencista sobre política britânica da Universidade de Liverpool. "Se os Tories tiverem vitórias grandes na Escócia, isso diluirá a voz contrária ao Brexit e diluirá também a voz do referendo escocês ", disse ele. "Muita gente estará de olho na Escócia."

O apoio ao Partido Conservador na Escócia nunca se recuperou do colapso sofrido na década de 1980 sob o comando de Margaret Thatcher. A ideologia de livre mercado nunca se firmou na Escócia, onde suas políticas foram responsabilizadas pelo desmantelamento das indústrias de aço, construção naval e carvão, que formavam a espinha dorsal da economia escocesa.

"Não tenho dúvidas de que esta vai ser uma disputa acirrada", disse Ross, que observou que nem havia nascido quando Thatcher chegou ao poder. "Mas ainda não estou reservando meus voos para Londres."

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