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Quem fala alemão tem maior probabilidade de ser mão fechada

Catherine Bosley

(Bloomberg) -- Os germanófonos estão contando moedas novamente.

Pelo menos essa é a conclusão de um trabalho técnico do Banco Central Europeu, elaborado por Benjamin Guin. Ele analisou a Suíça, país que ostenta três grandes grupos linguísticos e culturais, onde a maior parte das políticas e das leis, como as taxas de juros ou os impostos que afetam as taxas de poupança, é estabelecida em níveis nacional ou cantonal.

Isso permitiu que Guin, uma economista da Universidade de St. Gallen que atualmente trabalha no Banco da Inglaterra, analisasse os pontos centrais da questão para descobrir se as pessoas de um grupo linguístico se comportavam de forma diferente daquelas dos demais grupos. Em Zurique, o idioma principal é o alemão, enquanto em Genebra é o francês. Alguns cantões, como Bern, sede do governo, são bilíngues.

"Eu mostro que famílias de baixa e média renda da parte germanófona têm uma probabilidade 11 pontos percentuais superior de economizar do que famílias similares da parte francófona", concluiu o autor. "A evidência empírica sugere que a exposição das famílias aos grupos culturais pode explicar, pelo menos parcialmente, algumas das diferenças observadas em todo o país em relação às poupanças das famílias."

O estudo é relevante para a zona do euro, onde a relutância da Alemanha para investir, quando isso significa assumir mais dívidas -- nos níveis privado e público --, contrasta com as pilhas de empréstimos com incumprimento de países como Itália e Espanha.

A diferença cultural na abordagem das pessoas em relação aos empréstimos não passou despercebida pelo ex-primeiro-ministro italiano Mario Monti. Em entrevista concedida em 2015, ele reconheceu os dois sentidos da palavra "Schuld".

"Em alemão, a palavra para dívida é a mesma usada para culpa", disse ele.

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