Cidade do presidente mexicano cria problema para seu partido

Nacha Cattan

(Bloomberg) -- Quem andar pela cidade de Atlacomulco muito provavelmente esbarrará com um parente de um presidente mexicano ou um colega de escola de um governador estadual, possivelmente em uma rua que tem o nome de um deles.

A cidade natal de tantos mandachuvas do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI) também tinha os votos mais garantidos -- até hoje. Faltando dias para uma eleição regional, alguns simpatizantes mais acérrimos estão fraquejando. Isto poderia significar problemas ainda piores para o partido na eleição presidencial do ano que vem. E o México tem um movimento populista que está crescendo rapidamente, pronto para aproveitar qualquer fraqueza.

Se o Estado do México e o país fossem parecidos com o centro de Atlacomulco, uma cidade com cerca de 20.000 moradores onde árvores cuidadosamente aparadas se alinham com calçadas recém-pavimentadas, seria possível pensar que o partido do presidente Enrique Peña Nieto triunfaria sem problemas em ambas as eleições -- como acontece normalmente. Em nove décadas, o PRI nunca perdeu o controle do Estado do México, o mais populoso do país, que elege governador em 4 de junho. Durante a maior parte desse período, o partido também governou o restante do México, ultimamente com posturas pró-EUA e pró-mercado.

Contudo, corroído por uma série de reclamações -- disparada do crime, estagnação dos salários, corrupção -- o índice de aprovação de Peña Nieto caiu entre 15 por cento e 20 por cento. Na direção contrária avança Andrés Manuel López Obrador, conhecido popularmente como Amlo. Seu novo partido esquerdista, Morena, promete frear o investimento privado no setor de petróleo, dar preferência à economia local sobre os interesses do capital estrangeiro e confrontar Donald Trump.

Disputa

A votação do mês que vem no Estado do México é de fato entre o PRI e o Morena, segundo pesquisas que sugerem que será muito disputada. Alfredo del Mazo, o candidato do partido governista, é filho de um ex-governador do estado e neto de outro -- ambos de Atlacomulco. Delfina Gómez, do Morena, é uma ex-professora de ensino fundamental e prefeita de Texcoco, que fica a algumas horas de viagem de carro para o leste.

Os mercados estão prestando muita atenção. Sergio Luna, economista-chefe da unidade mexicana do Citigroup, disse que ele nunca recebeu tantas consultas de investidores sobre uma eleição local. Benito Berber, economista sênior da Nomura para América Latina, projeta que uma vitória do Morena poderia fazer com que o peso caia 6 por cento até julho, porque ela deixaria López Obrador com mais de 50 por cento de chances de ser eleito presidente no ano que vem.

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