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Déficit de aposentadoria mundial subirá para US$ 400 tri em 2050

Katherine Chiglinsky

(Bloomberg) -- Maior longevidade e retornos de investimento decepcionantes ajudarão a gerar um déficit de US$ 400 trilhões nas economias para a aposentadoria em cerca de três décadas, um número mais de cinco vezes maior que o tamanho da economia global, de acordo com um relatório do Fórum Econômico Mundial.

O total inclui uma diferença de US$ 224 trilhões em seis grandes sistemas previdenciários: EUA, Reino Unido, Japão, Holanda, Canadá e Austrália, de acordo com o relatório divulgado nesta sexta-feira. China e Índia representam o restante.

Os empregadores têm se afastado das aposentadorias e oferecido planos de contribuição definida, uma categoria que inclui os programas 401(k) dos EUA e contas individuais de aposentadoria e que representa mais de 50 por cento dos ativos previdenciários mundiais. Isso transfere mais risco para os indivíduos, que muitas vezes não têm acesso às opções certas nem aos recursos para compreendê-las, de acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial. Retornos de ações e títulos abaixo das médias históricas na última década também contribuíram para a diferença.

"Estamos em um ponto de inflexão", disse Michael Drexler, chefe de sistemas financeiros e de infraestrutura do Fórum Econômico Mundial, em entrevista por telefone. "O financiamento insuficiente das pensões é o equivalente à mudança climática nos sistemas sociais, no sentido de que ainda há tempo para fazer algo a respeito. Mas, se nada for feito, daqui a 20 ou 30 anos a sociedade terá um grande problema."

É possível que até 2050 o déficit chegue a cerca de US$ 400 trilhões, segundo o Fórum Econômico Mundial. O valor deriva da quantidade de dinheiro que o governo, os empregadores e os indivíduos precisariam fornecer a cada pessoa com uma renda de aposentadoria igual a 70 por cento de seu salário anual antes de sair da força de trabalho.

A diferença é parcialmente provocada pelo envelhecimento da população mundial. A expectativa de vida aumentou em média cerca de um ano a cada cinco anos desde meados do século passado, e metade dos bebês nascidos nos EUA em 2007 pode viver até os 104 anos, de acordo com o relatório.

O Fórum Econômico Mundial afirmou que seus cálculos se baseiam em dados públicos sobre programas governamentais, como a Seguridade Social nos EUA; contribuições patronais e poupanças individuais. O relatório pressupõe que os trabalhadores se aposentariam entre 60 e 70 anos de idade.

Há soluções

Os governos podem aliviar o fardo financeiro aumentando a idade de aposentadoria. Educação e serviços financeiros melhores também trariam benefícios.

O Fórum Econômico Mundial alertou que o déficit de economias cresce na proporção de US$ 3 trilhões por ano nos EUA. A diferença poderia aumentar a uma taxa anual de 7 por cento na China e de 10 por cento na Índia, onde o ritmo de envelhecimento da população é rápido, a classe média cresce e o porcentual de trabalhadores nos setores informais é maior.

O Fórum Econômico Mundial é uma fundação sem fins lucrativos, famosa por organizar um encontro anual em Davos, na Suíça.

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