Bolsas

Câmbio

Análise: Opções são refúgio para apostas no Brasil

Ashwin Alankar

(Bloomberg) -- Os investidores estão batendo em retirada do Brasil, mas os contratos de opções indicam que o País ainda conseguirá implementar as reformas que beneficiarão o crescimento, apesar do escândalo de corrupção que envolveu o presidente Michel Temer.

O Índice Bovespa desabou 8,8 por cento após a notícia, veiculada em 18 de maio, de que Temer teria dado aval a um acerto para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, que está preso. Foi a maior queda do Ibovespa em um dia desde a crise financeira de 2008.

O movimento aumentou temores de que o envolvimento de Temer no escândalo impedirá a implementação das reformas consideradas críticas para a economia brasileira voltar a crescer após dois anos de contração (a queda no ano passado chegou a 3 por cento).

Os principais políticos do Brasil e um terço do ministério de Temer foram implicados na Operação Lava Jato, que trouxe à tona um esquema de pagamento de propinas a autoridades em troca de contratos para empresas estatais e privadas.

A bolsa de valores tem oscilado pouco desde então e os preços das ações sugerem que o pior já passou em termos de revelações desastrosas para políticos e empresários. Mais especificamente, os preços das opções do Ibovespa indicam que o potencial para as ações brasileiras supera o risco.

Ou seja, o mercado de opções prevê que os investidores receberão mais potencial de ganhos pela quantidade de risco que assumem, o que consiste em um investimento atraente.

Assim como uma corporação que se recupera após a revelação de uma série de notícias ruins de uma só vez - resultando em perda contábil gigantesca --, o Brasil talvez agora esteja em condições de enfrentar seus problemas, em vez de ignorá-los, e colocar em prática as mudanças necessárias para restaurar o crescimento e a integridade do sistema político.

As ações da Royal Dutch Shell avançaram 35 por cento em 14 meses depois que a petrolífera registrou baixa contábil de US$ 8,2 bilhões, em outubro de 2015, por causa de projetos de exploração fracassados no Alasca e outras partes do mundo. A Volkswagen se tornou a maior montadora de automóveis do mundo pelo critério de volume e suas ações dispararam 23 por cento em dois meses, após uma baixa contábil de US$ 7,5 bilhões, também em outubro de 2015, após a admissão de fraude em testes de emissão de poluentes por veículos movidos a diesel.

Temer prometeu seguir adiante com as reformas que contribuíram para que o Ibovespa e o real fossem a bolsa e moeda de melhor desempenho entre os mercados emergentes no ano passado. Ele já conseguiu aprovar o teto para os gastos públicos, se empenha em aprovar a reforma da previdência (que passa por elevar a idade de aposentadoria para 65 anos) e pretende alterar leis de educação, trabalhistas e tributárias antes das eleições de 2018.

Segundo projeção de consenso publicada pela Bloomberg em 26 de maio, a economia brasileira deve voltar a crescer em 2017, registrando expansão no PIB de 0,7 por cento, avançando para 2,3 por cento no ano que vem. O mercado de opções parece concordar.

As opções mostram otimismo crescente e acima da média quanto ao mercado acionário e a moeda brasileira. Isso sugere que o Brasil conseguirá passar as reformas, mesmo se Temer não sobreviver no cargo.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos