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Alpargatas pode ser a pechincha da nova crise de corrupção

Fabiola Moura

  • Buda Mendes/Getty Images

(Bloomberg) -- As Havaianas, famosos chinelos de dedo coloridos usados por celebridades como Kim Kardashian e Gwyneth Paltrow, nem sempre são baratas. Mas para os investidores que começam a se entusiasmar novamente com o mercado de fusões e aquisições do Brasil, a companhia pode em breve virar uma pechincha.

Por não ser um dos negócios principais do grupo J&F Investimentos, controlado pelos irmãos Batista, a Alpargatas, fabricante dos versáteis chinelos de borracha, deverá ser uma das primeiras a ser colocada à venda se sua controladora precisar levantar dinheiro rapidamente, agora que seus acionistas controladores admitiram pagamentos de propinas.

Não seria a primeira vez. A última dona da companhia --a construtora Camargo Corrêa-- colocou-a à venda há menos de dois anos exatamente pelo mesmo motivo.

Apesar da maré de azar, a Alpargatas é bem administrada e um novo dono pode ser exatamente o que a empresa precisa para finalmente encerrar a sequência ruim, disse Gustavo Gato, gestor da Explorador Capital Management, que tem ações da Alpargatas entre seus ativos.

Apesar de as Havaianas estarem no topo entre as fabricantes de chinelos de dedos, com um par encrustado de cristais Swarovski vendido a US$ 70 na Saks Fifth Avenue, por exemplo, as ações da companhia são negociadas a apenas 12 vezes seu lucro estimado para 12 meses, contra uma mediana de quase 19 vezes registrada por cem pares globais. A companhia é comandada pelo presidente Márcio Utsch.

Para os investidores, o escândalo na J&F gera um grande ruído que tem prejudicado as ações, disse Gato. "A Alpargatas tem um dos melhores gestão da indústria, do setor. Uma empresa incrível com uma marca incrível e é por isso que em uma hora de crise você consegue achar comprador."

A Alpargatas disse que não comenta rumores de mercado, em e-mail enviado pela sua assessoria de imprensa. A J&F não retornou os pedidos de comentário da Bloomberg.

Crise política

Menos de um ano após o impeachment da presidente Dilma Rousseff em meio à Lava Jato, seu sucessor, Michel Temer, corre o risco de ter um destino similar.

Os ânimos esquentaram novamente depois que Joesley e Wesley Batista, cuja família controla a J&F, admitiram crimes de corrupção e entregaram ao Ministério Público Federal (MPF) uma gravação de áudio na qual Temer parece endossar o pagamento de propina para manter em silêncio um político preso.

As revelações derrubaram os mercados e levaram a S&P Global Ratings e a Moody's Rating Service a alertarem para possíveis cortes na classificação de risco do país pelo temor de fracasso da agenda de reformas de Temer.

Os irmãos Batista compraram a participação da Camargo Corrêa na Alpargatas no fim de 2015 com um empréstimo de R$ 2,67 bilhões (US$ 816 milhões) da Caixa Econômica Federal, uma transação que está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O momento e as condições do financiamento deram à J&F, que detém 21% da Alpargatas, vantagem sobre as ofertas rivais porque permitiram que a companhia pagasse o montante totalmente à vista e em dinheiro.

Agora, a J&F busca fechar um acordo de leniência e pode ter que se desfazer de negócios porque o MPF está pedindo R$ 11 bilhões em multas. O acordo ainda está sendo negociado e há um processo separado em andamento no Departamento de Justiça dos EUA.

Uma nova venda poderia ser um bom lance para a Alpargatas e para a Havaianas, disse Daniela Bretthauer, especialista em varejo da Eleven Financial em São Paulo. Um par de chinelos da companhia normalmente sai por US$ 15 a US$ 25.

"A marca em si é um sucesso", disse ela. "Ela poderia valer muito mais."

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