Há limites até mesmo para Gucci e Hermès: Gadfly

Andrea Felsted

(Bloomberg) -- Os gastos de luxo estão de volta com clientes endinheirados esbanjando bolsas Birkin da Hermès, blusas Gucci e pulseiras Cartier. Mas as coisas ainda não voltaram a ser como eram antigamente na terra do luxo, apesar da recente vertigem entre os investidores em ações da bolsa.

Veja o mais recente relatório do setor publicado pelas empresas de consultoria Bain & Co e Fondazione Altagamma, a associação italiana de luxo. Ele prevê que as vendas de bens de luxo pessoais se expandirão entre 2 e 4 por cento neste ano, excluindo movimentos cambiais, uma perspectiva muito melhor que a estabilidade do ano de 2016.

No entanto, a expansão não tem nada a ver com os anos anteriores à desaceleração, quando consumidores chineses jogavam dinheiro para cima como se não houvesse amanhã. Bain projeta um crescimento anual médio de 3 a 4 por cento até 2020, em comparação com 6 por cento entre 1996 e 2016.

No entanto, parece que os investidores esperam um boom de gastos em tudo, dos relógios suíços aos lenços de seda. O índice de luxo da Bloomberg Intelligence subiu 23 por cento durante os últimos 12 meses. Seu preço para o múltiplo de resultados esperado é o mais alto em aproximadamente seis anos, com um prêmio tanto em relação ao MSCI World Index quanto ao MSCI Consumer Durables and Apparel Index.

Esta é uma classificação bastante luxuosa se considerarmos que a Bain afirma que o crescimento poderia ser de apenas 2 por cento neste ano.

Além disso, há enormes variações de uma região a outra. Enquanto a Bain espera épocas melhores na Europa e na China, os EUA parecem maltrapilhos em comparação. O dólar forte não ajuda, nem as incertezas que rondam o governo Trump. Ao mesmo tempo, os dias de glória das lojas de departamentos dos EUA estão desaparecendo rapidamente.

A situação também poderia ficar mais difícil para as lojas europeias. A LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton alertou em abril que seu crescimento estrondoso no primeiro trimestre pode não durar no restante de 2017.

De fato, as comparações serão difíceis para o setor como um todo nos últimos seis meses de 2017, porque os primeiros sinais de recuperação surgiram no fim do terceiro trimestre do ano passado. Qualquer turbulência política adicional ou outros incidentes que impeçam os consumidores de alto nível de viajar piorariam a situação.

Depois dos resultados negativos das vendas de relógios suíços, divulgados na semana passada, as projeções da Bain são mais um balde de água fria para quem está otimista com o setor de luxo. Sem outra aceleração nas vendas, ou alguma fusão ou aquisição no setor, a ostentação dos grandes nomes do luxo pode perder parte de seu brilho.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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