Partido contra o Brexit não avança entre eleitores britânicos

Alex Morales

(Bloomberg) -- Na pequena vila de pescadores de Mousehole, Bill Johnson, que trabalha no escritório responsável pelo cais, não dá bola para a maior parte dos assuntos discutidos antes das eleições no Reino Unido.
O que está claro é que, um ano após votar a favor do Brexit, ele está migrando do Partido Liberal Democrata para o Partido Conservador ? o único no qual ele confia para finalizar a retirada da União Europeia.

"Theresa May precisa de um mandato para avançar o Brexit", disse Johnson, 60 anos, se referindo à primeira-ministra britânica. "Ela é a única com uma postura forte."

A decisão de Johnson de trocar de partido ilustra bem o dilema enfrentado pelo terceiro partido da política britânica, que sofreu uma derrota acachapante nas últimas eleições e agora concorre com uma plataforma claramente favorável à UE, de olho naqueles 48 por cento dos eleitores que votaram pela permanência no bloco. No entanto, o partido está sendo ignorado. Embora a vantagem de May nas pesquisas de intenção de voto esteja diminuindo, quem está conquistando adeptos é o Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn.

Na reta final antes das eleições, crenças arraigadas não valem mais ? desde a vantagem inicial de May entre a opinião pública à teoria de que Partido Liberal Democrata poderia conquistar apoio daquela fatia da população que nunca quis o Brexit.

Lamentavelmente para eles, as intenções de voto estão estagnadas na casa de 10 por cento, não muito diferente da parcela de 8 por cento obtida nas eleições de 2015.

É por isso que lugares como Mousehole ? que o poeta Dylan Thomas descreveu como o "vilarejo mais adorável da Inglaterra" ? são importantes para um partido que luta para manter a relevância e pretende recuperar prestígio onde costumava ser forte, na parte sudoeste do país. A região vai da Cornualha até as montanhas de Cotswolds, passando pelas cidades de Bath e Plymouth.

Os liberal-democratas vislumbraram a esperança de virada quando May surpreendeu convocando eleições, argumentando que precisa de um mandato pessoal e maioria mais ampla para lidar com a UE nas negociações. No caso, o Partido Liberal Democrata daria prioridade ao Brexit ? se opondo ao movimento.

Dez minutos após May anunciar as eleições, em 18 de abril, o líder do partido, Tim Farron, divulgou um breve comunicado aos eleitores, afirmando que "esta eleição é sua chance de mudar a direção do nosso país" e evitar "um Brexit duro desastroso".

No entanto, "sempre será difícil lutar contra a mensagem do Brexit porque parece ir contra a noção de democracia", disse Thom Oliver, professor de ciências políticas na Universidade do Oeste da Inglaterra e especializado nos liberal-democratas.

A proposta de rever a decisão de 2016 com um segundo referendo ao final das negociações do Brexit pode funcionar bem em Londres, mas longe da capital cosmopolita, pode parecer revanche pela derrota, ele explicou.

De fato, para alguns dos candidatos liberal-democratas que disputam no sudoeste, o assunto não ajuda a angariar votos.

"Minha resposta à questão do Brexit é que vai acontecer, não pode ser parado e não haverá um segundo referendo, não importa o que diz Tim Farron", declarou Andrew George, 58 anos, que concorre a um cargo por St. Ives, distrito onde Johnson e 55 por cento dos eleitores escolheram o Brexit. "Todo esse posicionamento teórico é meio irrelevante."

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