Bolsas

Câmbio

Produtores de banana da África do Sul aderem à macadâmia

Derek Alberts

(Bloomberg) -- A crescente demanda por noz macadâmia está transformando as terras agrícolas do leste da África do Sul. Os proprietários de terras estão mudando o foco das bananas e da cana-de-açúcar para essas frutas secas cremosas usadas em produtos doces como sorvetes e bolachas.

Introduzida na África do Sul na década de 1960, as árvores perenes de macadâmia são cultivadas em fazendas nas províncias de Limpopo, Mpumalanga e KwaZulu-Natal, com a adição de cerca de 2.000 hectares por ano. O país, que disputa com a Austrália o título de maior produtor e exportador, respondeu por cerca de 28 por cento da produção mundial total em 2015, segundo dados do Conselho Internacional de Nozes e Frutas Secas (INC, na sigla em inglês).

"A macadâmia tem uma história bonita", disse Richard Mattison, um dos maiores produtores privados da África do Sul, que tem cerca de 600 hectares das árvores em sua fazenda, perto de Port Edward, ao sul da cidade costeira de Durban. "Em 2009, recebemos cerca de 5 rands por quilo da fruta. Agora estamos recebendo entre 110 e 120 rands."

O consumo global estimado de sementes de macadâmia cresceu 59 por cento entre 2010 e 2014, segundo dado do INC. No entanto, as macadâmias, que são vendidas com a casca marrom brilhante ou processadas para a extração de uma semente redonda e cremosa, representam apenas em torno de 1 por cento da produção mundial de frutas secas, sendo que a amêndoa, a castanha de caju e a noz lideram os rankings.

A produção da África do Sul provavelmente mais do que dobrará até 2020, segundo Alex Whyte, chefe de vendas para Europa, Oriente Médio e África da Green Farms Nut Company, que processa cerca de 25 por cento da safra nacional. O país pode colher até 45.000 toneladas nozes neste ano, segundo a Associação dos Produtores de Macadâmia do Sul da África. Cerca de 95 por cento da produção é exportada, sendo que China, EUA e Canadá estão entre os maiores compradores.

Além da expansão no plantio -- os agricultores adicionaram 7,5 milhões de novos pés no ano passado --, os rendimentos também estão aumentando com a melhora das técnicas de cultivo.

"Passamos de extrair duas a três toneladas por hectare para seis a sete toneladas atualmente", disse Mattison.

A produção de nozes de alta qualidade na região costeira subtropical de KwaZulu-Natal está se expandindo mais rapidamente do que em qualquer outro lugar do mundo, segundo Andrew Sheard, gerente técnico da Mayo Macadamias, que processa e comercializa as nozes.

As árvores de noz macadâmia se intercalam bem com as bananeiras, o que torna seu cultivo "óbvio", disse ele. "Uma plantação consolidada de banana oferece o microclima perfeito para um arbusto de macadâmia."

Divisão do risco
William Davidson, que cultiva em Umfolozi, a cerca de 220 quilômetros a nordeste de Durban, está entre os que estão lucrando com a explosão da macadâmia. Ele tem cerca de 60 hectares de árvores cultivadas, além de lavouras de cana-de-açúcar, árvores para extração de madeira e bananas, e planeja plantar outros 140 hectares até outubro.

"O negócio é dividir o risco e diversificar com uma cultura que não consegue saciar o mercado", disse Davidson.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos