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Trump gera dúvidas sobre maconha, mas dinheiro continua entrando

Jennifer Kaplan

(Bloomberg) -- A postura do governo Trump contrária à maconha gerou nervosismo ao próspero setor da cannabis, mas o dinheiro continua entrando.

Empresas relacionadas à maconha captaram mais de US$ 734 milhões entre 1º de janeiro e 21 de abril, quase sete vezes mais que os US$ 108 milhões do mesmo período do ano passado, segundo um relatório da New Frontier Data e da Viridian Capital Advisors. Essas captações elevam a US$ 1,9 bilhão o montante total levantado desde o início de 2016.

O aumento nos investimentos reflete otimismo de que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o procurador-geral Jeff Sessions não reprimirão o setor, embora esses temores estejam pesando sobre os preços das ações neste ano. Desde que atingiu um pico, em fevereiro, o Bloomberg Intelligence Global Cannabis Index caiu 36 por cento.

Para os financiadores da cannabis, o potencial de crescimento do setor ofusca o risco político. Oito estados decidiram em votação legalizar a maconha de alguma maneira em 9 de novembro, incluindo o maior do país. A demanda por maconha legalizada na Califórnia deverá aumentar em 50 por cento em 2018, quando o uso recreativo deverá entrar em vigor, segundo o relatório. Os autores do relatório projetam que a demanda nacional por maconha legalizada quase quadruplicará até 2025.

"Haverá necessidade de capital em cada novo estado que legalizar o consumo", disse John Kagia, vice-presidente-executivo de análises do setor da New Frontier e autor do relatório. "O setor continuará sendo uma oportunidade de investimento significativa no futuro próximo."

Como resultado da concorrência por financiamento, está sendo levantado capital semente em quantias iniciais maiores e seu custo está aumentando, disse a CEO da New Frontier, Giadha Aguirre de Carcer.

Declarações de Spicer

A expansão se dá em meio a um cenário político incerto com o governo Trump. Em fevereiro, o secretário de Imprensa, Sean Spicer, disse esperar que o Departamento de Justiça reforce o cumprimento das leis federais que proíbem o uso recreativo de maconha, mesmo em estados onde é permitido. Spicer defendeu o uso medicinal da maconha, enquanto Sessions indicou que não gosta de nada relacionado à planta.

Apesar dessa postura, Sessions não tomou nenhuma medida para frear o setor. O Congresso aprovou uma emenda ao projeto de lei do orçamento federal que impede seu departamento de reprimir os programas de maconha com fins medicinais legalizados pelos estados. Ainda assim, Trump sinalizou no mês passado que pode não considerar a proibição obrigatória.

Scott Greiper, presidente e fundador da Viridian, ressalta no relatório que "não passa um dia sem que um investidor nos pergunte sobre o impacto potencial dos comentários do sr. Spicer em particular e do governo Trump em geral."

Nem as ameaças políticas, nem as dificuldades bancárias e tributárias atuais prejudicarão o setor, preveem a Viridian e a New Frontier. As vendas legais de produtos à base de cannabis deverão alcançar US$ 24,1 bilhões em 2025, contra US$ 6,6 bilhões em 2016. Os investimentos também continuarão aumentando, em particular porque o comércio interestadual está proibido. Isso significa que todo estado que legalizar a maconha precisará criar sua própria infraestrutura.

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