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Executivos dos EUA se revoltam contra saída do Acordo de Paris

Joe Carroll, Richard Clough e Mary Schlangenstein

(Bloomberg) -- A comunidade empresarial dos EUA desencadeou uma onda de críticas à decisão do presidente Donald Trump de abandonar o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Dois executivos de peso saíram do conselho de assessores da Casa Branca. O presidente do Goldman Sachs Group, Lloyd Blankfein, estreou no Twitter com uma declaração de reprovação.

"A decisão de hoje é um revés para o meio ambiente e para a posição de liderança dos EUA no mundo", escreveu Blankfein.

A investida no Twitter - pelo comandante da firma de Wall Street que tem o maior número de ex-funcionários no governo Trump - foi apenas uma gota no mar de discórdia que surgiu com a decisão do presidente americano na quinta-feira. O presidente da Apple, Tim Cook, conversou com Trump na terça-feira para tentar convencê-lo a não abandonar o acordo, "mas não foi suficiente", ele revelou a funcionários em carta obtida pela Bloomberg.

O presidente da Walt Disney, Bob Iger, e o fundador da Tesla Motors, Elon Musk, se retiraram de um painel presidencial dedicado à geração de empregos. Também expressaram descontentamento gigantes da economia americana como General Electric, Ford Motor, Dow Chemical e Microsoft.

Michael Bloomberg, fundador e acionista majoritário da Bloomberg, está organizando um grupo de estados, cidades e empresas dos EUA para cumprir as metas de emissão de poluentes definidas pelo Acordo de Paris.

"Nós vamos fazer tudo o que a América teria feito se tivesse permanecido comprometida", disse Bloomberg em entrevista ao The New York Times.

A resposta do fundador da Virgin Group, Richard Branson, talvez tenha sido a mais pessoal. Ele "quis chorar" por causa da decisão, escreveu.

Mas o comentário de Blankfein no Twitter foi um dos que mais chamou atenção. Embora ele não participe de nenhum conselho de assessores de Trump, já foram colegas dele no Goldman Sachs o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Gary Cohn, e a vice-assessora de Segurança Nacional, Dina Powell. Steve Bannon, que saiu do banco há mais de duas décadas, é o principal estrategista de Trump.

Cohn, que foi vice de Blankfein por mais de uma década, defendeu o atual chefe na CNN. "O que o presidente Trump acredita é que ele foi eleito para expandir a economia americana e proporcionar maiores oportunidades de emprego para os cidadãos americanos. O que ele acha que fez hoje é exatamente isso", disse Cohn.

Já Jeffrey Immelt, da GE, foi pragmático. "A mudança climática é real", ele escreveu no Twitter. "A indústria agora precisa liderar e não depender do governo."

O presidente da BlackRock, Laurence D. Fink, disse que continuará participando do fórum de CEOs da Casa Branca, embora discorde da retirada do pacto climático.

"Eu não concordo com todas as políticas do presidente, incluindo o anúncio de hoje para saída dos EUA do Acordo de Paris, que eu considero passo crítico adiante para tratar da mudança climática", ele afirmou em comunicado enviado por e-mail. "Eu continuarei no fórum de CEOs enquanto acreditar que existe potencial para ter impacto positivo."

Partidas de Musk e Iger

Musk disse que vai cumprir a promessa que já tinha feito, de sair do conselho se Trump abandonasse o Acordo de Paris.

Iger, da Disney, havia prometido permanecer no conselho para manter "uma voz na sala" nas discussões com o presidente, mas mudou de ideia na quinta-feira.

"É crítico para o nosso futuro proteger nosso planeta e estimular o crescimento econômico e estes não são mutuamente excludentes", ele escreveu em comunicado. "Eu discordo profundamente da decisão de sair do Acordo de Paris e, por questão de princípio, me demiti do conselho de assessores do presidente."

Antes mesmo de Trump anunciar sua decisão, as petrolíferas Exxon Mobil, ConocoPhillips e BP reiteraram seu apoio ao acordo global. O argumento delas é que os EUA estão melhores com um assento na mesa de negociações para assim influenciarem os esforços globais para limitar emissões geradas pelos combustíveis fósseis que são seu ganha-pão.

O presidente da Exxon, Darren Woods, foi além durante a assembleia anual de acionistas em Dallas na quarta-feira. Ele reiterou seu compromisso com os objetivos e métodos do Acordo de Paris e afirmou que a demanda por petróleo continuará aumentando nas próximas décadas, mesmo com o tratado em vigor.

"As necessidades de energia são função da população e dos padrões de vida", declarou Woods em sua primeira assembleia anual desde que assumiu a presidência, em 1º de janeiro. "Em se tratando de política pública, o objetivo deve ser reduzir as emissões ao menor custo para a sociedade."

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