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GoFundMe, Amazon e contrabando: rota de protestos na Venezuela

Andrew Rosati

(Bloomberg) -- Capacetes e óculos chegam através de mensageiros privados ou enfurnados na bagagem de mão. Rádios portáteis e máscaras de gás passam pela fronteira contrabandeados ou em aviões charter.

Os protestos quase diários que sacodem a Venezuela há uns dois meses se sustentam com fluxos de materiais e dinheiro que formam um rio de apoio. Sites de financiamento coletivo, como GoFundMe e Generosity, estão repletos de campanhas dos manifestantes ? alguns chegam a arrecadar milhares de dólares ? e as listas de desejo da Amazon, com pedidos de equipamentos, circulam pelo Twitter, Instagram e WhatsApp.

A crescente comunidade de expatriados venezuelanos organiza arrecadações de fundos e iniciativas de coletas nos EUA, no Panamá e em outros lugares, enquanto partidos políticos e ativistas ajudam a distribuir o arrecadado antes das passeatas no país. É quase impossível calcular números financeiros concretos, mas essa ajuda é de vital importância para o plano de protesto dos líderes: manter uma presença constante nas ruas até obrigar o presidente Nicolás Maduro (ou os militares) a convocar novas eleições.

Os manifestantes não conseguiram derrubar Maduro em 2014, quando decidiram acabar com as semanas de protestos após dezenas de mortes. Agora, eles estão sendo colocados à prova com maior dureza: o número de mortos supera 60 e milhares de pessoas saíram feridas ou foram presas. No entanto, como o colapso econômico do país rico em petróleo nunca esteve tão ruim e Maduro tenta fortalecer ainda mais seu controle sobre o poder, os manifestantes parecem mais determinados desta vez.

"Esta luta é uma questão de resistir e permanecer", disse Samuel Olarte, organizador do Vontade Popular, um partido da oposição. "Esse tipo de apoio continuará chegando enquanto os protestos durarem."

Boca a boca

O gabinete de Olarte está repleto de megafones ainda na embalagem original, caixas de pilhas novas da marca Amazon e sacos de lixo pretos cheios de camisetas com imagens de Leopoldo López, líder do Vontade Popular que está na cadeia desde os protestos de 2014. Olarte coordena tudo, das passeatas aos almoços preparados por grupos dos bairros. Serviços de mensagem, redes sociais e o boca a boca são usados para convocar as pessoas.

"Os que estão dispostos a protestar não são os que têm os meios", disse Julio Jiménez, um ativista de 39 anos em Caracas, mais conhecido por seu usuário no Twitter, @Juliococo, que tem mais de 350.000 seguidores. "O trabalho é conectá-los."

As marchas de maior participação tentam chegar ao centro de Caracas, sede do palácio presidencial e dos ministérios.

As linhas de frente chegam vestidas para a batalha. Com o rosto coberto, vão com óculos ou máscaras de gás pendurados no pescoço. Usam escudos caseiros, preparam coquetéis Molotov antes do começo da manifestação e usam luvas de couro para pegar e jogar de volta as bombas de gás lacrimogênio atiradas na multidão. Os manifestantes também precisam se defender dos jatos dos canhões de água e dos projéteis, balas de borracha e até mesmo de fogo que são disparados contra eles.

O governo afirma que eles são terroristas. Eles dizem que os atos de violência que cometem são em legítima defesa.

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