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Salários de recém-formados na faculdade estão em queda na China

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Os salários dos chineses formados mais recentemente na universidade estão em queda no momento em que esse contingente aumenta a um nível recorde. Trata-se de uma notícia indesejada para a elite jovem do país, mas que pode ajudar as autoridades a se esforçarem para passar a economia aos setores e serviços de alta tecnologia.

Os salários mensais caíram 16 por cento neste ano, para 4.014 yuans (US$ 590), no segundo declínio anual consecutivo, mostram dados do site de recrutamento Zhaopin.com. O Ministério da Educação estima que 7,95 milhões de pessoas se formarão neste ano, quase a população da Suíça.

A China está perdendo competitividade em setores de mais baixo escalão, como o têxtil e o de móveis, devido ao aumento dos salários e de outros custos. Os esforços das autoridades para compensar isso levando a economia rumo a setores e serviços de alta tecnologia -- desde aeronaves e robôs até pesquisa e desenvolvimento -- podem receber um impulso de um exército de graduados altamente qualificados e com baixa remuneração.

"Esta é a nova vantagem competitiva da China", disse Song Yu, economista-chefe para a China na Beijing Gao Hua Securities, parceira de joint venture do Goldman Sachs na parte continental do país, em Pequim. "Quando você entra em um banco aqui, até mesmo as caixas são altamente qualificadas. O governo tem uma boa mão se souber escolher bem as cartas."

Mas há uma desvantagem: um salário mais baixo representa um possível obstáculo para os consumidores, cujo apoio tem sido fundamental para a economia devido ao desaparecimento dos antigos motores econômicos. O consumo, incluindo gasto público, contribuiu para 77,2 por cento do crescimento do produto interno bruto no primeiro trimestre, enquanto os serviços responderam por uma fatia recorde de 51,6 por cento da produção total de 2016.

Impacto global

A pressão para queda dos salários profissionais também pode se espalhar além das fronteiras da China. A globalização dos serviços possibilitada pela tecnologia permite um fluxo de trabalho profissional sem impedimentos em todo o mundo, e apesar de os serviços historicamente serem oferecidos em pessoa, o mesmo não vale para os setores modernos de finanças, contabilidade ou consultoria, segundo Stephen Roach, da Universidade de Yale.

Isso torna o trabalho profissional mais fácil de enviar para o exterior e poderia expor os chamados trabalhadores do conhecimento dos EUA, desacostumados às fortes pressões competitivas e à insegurança maior no emprego, escreveu Roach, ex-presidente não-executivo do conselho do Morgan Stanley Asia, em seu livro de 2014, "Unbalanced: The Codependency of America and China" ("Desequilibrados: a codependência de EUA e China").

Os chineses formados na universidade seriam contratações muito mais atraentes no mercado global, já que recebem menos de um sexto do montante de seus homólogos dos EUA. Os salários dos recém-formados na universidade aumentaram 3 por cento neste ano, para um recorde de US$ 49.785 por ano, ou US$ 4.149 por mês, segundo relatório do mês passado da empresa de pesquisa executiva Korn/Ferry International, de Los Angeles.

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