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Enzima é novo foco de pesquisa para tratamento do câncer

Michelle Fay Cortez

(Bloomberg) -- Para um feto no útero, esta é uma enzima que significa vida, um escudo contra o sistema imunológico da mãe, que, do contrário, combateria o embrião como uma infecção. Fora de controle, ela pode significar a morte -- por proteger tumores malignos dos ataques das defesas do corpo.

Essa enzima, a IDO, agora é alvo da próxima onda de pesquisas sobre o câncer.

Quem lidera o grupo com um medicamento experimental que inibe a IDO -- removendo assim a nuvem de proteção em torno de um tumor - é a Incyte. Essa pequena empresa de Wilmington, Delaware, EUA, atraiu quatro das maiores fabricantes de tratamentos para o câncer para colaborar com os estudos, incluindo a Merck & Co.

Os estudos estão em fase inicial, mas a esperança é criar um ataque combinado em duas frentes: um inibidor de IDO revelaria o tumor, possibilitando que as células de combate a infecções revigoradas pelas terapias existentes deem o tiro fatal.

"Na verdade, sentimos fortemente que este provavelmente será o padrão do tratamento do melanoma nos próximos anos", disse Jason Luke, professor-assistente de Medicina da Universidade de Chicago Medicine, que se concentra no desenvolvimento de drogas em estágio inicial. "É a combinação que está mais próxima do sucesso."

Resultados promissores

A abordagem da IDO foi o principal assunto de médicos e investidores neste fim de semana na maior reunião mundial de pesquisadores do câncer, o encontro da Sociedade de Clínica Oncológica Americana, em Chicago. Os primeiros resultados em um número significativo de pacientes, apresentados no sábado, pareceram promissores. Eles confirmaram pesquisas anteriores que apontaram que a adição do epacadostat da Incyte a medicamentos oncológicos como o Keytruda, da Merck, amplia a eficácia dos medicamentos sem aumentar significativamente os efeitos colaterais, contrapartida típica desses coquetéis.

Os resultados do estudo final necessário para aprovação para comercialização de uma combinação de epacadostat com Keytruda contra melanoma são esperados para o ano que vem.

O campo das terapias que liberam as próprias defesas do sistema imunológico para o combate de tumores, conhecido como imuno-oncologia, explodiu nos últimos três anos. Ele deu esperança aos pacientes quando as séries de quimioterapia falharam e criou sucessos como o Keytruda. Apesar de muito eficazes para certos pacientes, as imunoterapias funcionam apenas para menos da metade deles.

Para melhorar as taxas de sucesso as empresas farmacêuticas decidiram combinar as terapias que estimulam o sistema imunológico com outros tratamentos -- um esforço massivo do setor, com quase 2.000 coquetéis de medicamentos em estudo, segundo Michael Schmidt, analista de biotecnologia da Leerink Partners em Boston. Se bem-sucedidos, os medicamentos IDO poderiam criar um mercado avaliado em US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões por ano, disse Schmidt.

Entre os principais desafios, no entanto, está o preço. Os novos medicamentos contra o câncer custam US$ 100.000 a US$ 150.000 por ano por paciente. A combinação de duas ou três drogas em uma única terapia pode elevar os preços.

"A questão é como realmente pagaremos por isso", disse Sam Fazeli, analista da Bloomberg Intelligence em Londres. "É preciso haver uma diferença significativa na capacidade de resposta de um paciente ou na duração de sua resposta. Só o tempo dirá."

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