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Londres se acostuma a uma nova realidade após atentados

Alex Morales e John Ainger

(Bloomberg) -- A imagem de um helicóptero das forças especiais aterrissando na Ponte de Londres na noite do sábado levantou a questão de saber se a capital britânica está ficando mais perigosa -- ou se de fato ela está melhor defendida.

O atentado, que matou sete pessoas, foi a segunda vez em três meses que Londres foi atacada após um ataque similar contra o Parlamento do país em março. Na noite do domingo, a primeira-ministra Theresa May foi acusada pelo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, de não proteger a população por ter deixado a polícia sem fundos.

Contudo, os três terroristas que realizaram o ataque na Ponte de Londres foram mortos oito minutos após o começo do incidente depois que policiais -- que geralmente estão desarmados no Reino Unido -- atiraram 50 vezes. Quatro anos atrás, a polícia demorou 15 minutos para chegar ao lugar onde um soldado que estava fora de serviço foi atacado por dois extremistas islâmicos. Mesmo assim, eles atiraram para ferir -- e não para matar -- os atacantes.

"O fato de o tempo de resposta a esses ataques ter sido muito rápido e de as autoridades não terem hesitado em abater esses indivíduos é o reflexo de que a polícia está tomando a iniciativa", disse Raffeello Pantucci, diretor de estudos de segurança internacional do Royal United Services Institute em Londres.

"Temos uma competência fantástica neste país e sempre conseguimos desenvolvê-la e mudá-la em resposta à ameaça", disse a comissária da Polícia Metropolitana, Cressida Dick, nesta segunda-feira em entrevista com a BBC Radio. "Teremos que mudar de novo."

Não foi apenas o modo de policiamento que evolui à medida que a cidade foi se ajustando a um novo tipo de terrorismo "caseiro" que envolve células pequenas em vez de redes de apoio extensas. O rosto de Londres também mudou, com barreiras, grades e formas mais sutis de proteção colocadas perto de monumentos históricos e nas calçadas. As autoridades querem defender a cidade, que se orgulha de seu tradicional estoicismo e de sua atitude de seguir adiante por décadas de terrorismo sem reduzir as liberdades.

Segurança

Os serviços de segurança prendem mais aspirantes a atacantes do que soltam. As agências de segurança e inteligência "desmontaram cinco planos passíveis de ocorrer" desde o atentado de Westminster, disse May no domingo. A ministra do Interior, Amber Rudd, disse no mês passado que as forças de segurança estão analisando 500 planos e monitorando cerca de 3.000 pessoas em uma "lista superior" de suspeitos. Outras 20.000 pessoas estão em uma lista inferior de pessoas que foram investigadas em algum momento, mas que são consideradas como uma ameaça menor.

A campanha eleitoral começou a focar cada vez mais no terrorismo, mas os londrinos não se perturbaram com os ataques. Cafés, metrôs e restaurantes estavam cheios no domingo, mesmo com a Ponte de Londres interditada. Sem assassinatos em grande escala desde 2005, quando quatro suicidas com bombas atacaram o sistema de trânsito, Londres está se acostumando novamente ao terror.

"Se alguma coisa acontecer aqui, quem vai evitar isso?", perguntou Laura Winner, 33, dona de uma barraca no mercado de Brick Lane, na região leste de Londres. "É um caminho aberto. Você precisa seguir em frente. Eles querem que você tenha medo."

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