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Suíça Sucafina aposta no cultivo de café com fazenda no Brasil

I. Almeida

(Bloomberg) -- A trader suíça Sucafina está apostando no cultivo de café com uma joint venture no Brasil, o maior produtor mundial.

A empresa com sede em Genebra fechou acordo por uma participação minoritária no empreendimento com a Cia Agropecuária Monte Alegre, uma produtora centenária do coração do cinturão do café do Brasil. A Sucafina, que já possui uma parceria agrícola no Equador, quer fechar acordos similares em outras partes do Brasil e também em outros países, disse o CEO Nicolas Tamari.

O Brasil é um destino atraente porque possui grandes fazendas de café e a tecnologia mais avançada, segundo a Sucafina. A fazenda da Monte Alegre, controlada pela família Vieira, está localizada no sul de Minas Gerais. O estado é o maior produtor brasileiro de grãos arábica, o tipo mais caro preferido para bebidas especiais como as preparadas pelo Starbucks.

"A ideia é expandir para outras áreas do Brasil além do Sul de Minas Gerais, mas também expandir fora do Brasil, em países como Colômbia", disse Tamari, em entrevista. "O Brasil é o começo fácil, onde se pode conseguir escala."

A fazenda da Monte Alegre já produz mais de 100.000 sacas de café por ano e a área plantada ainda poderia ser expandida em até 20 por cento, disse Tamari. Cerca de 30 por cento de suas plantações foram renovadas recentemente após a seca de 2014, que fez os futuros do café arábica negociados em Nova York subirem mais de 50 por cento, maior alta em quatro anos.

A fazenda atualmente vende seu café a clientes de mais de 25 países, inclusive empresas de torrefação dos EUA, da Coreia do Sul, do Japão e da Europa, disse David Behrends, sócio-gerente e chefe de trading da Sucafina. Os grãos da fazenda também possuem as certificações de sustentabilidade UTZ e da Rainforest Alliance.

Trading futuro

O acordo faz "parte do nosso desejo e da nossa crença de que a trader do futuro será integrada mais verticalmente e que grande parte disso terá que vir do lado agrícola", disse Behrends.

Apesar de os grãos lavados e semilavados da fazenda terem a qualidade necessária para entrega pela ICE Futures U.S., a venda para a bolsa não seria rentável no momento. O motivo é que a qualidade produzida pode ser vendida pelo dobro do preço praticado em Nova York, disse Tamari. Ainda assim, ele não descarta transações por meio da bolsa "se houver uma explosão do mercado".

"A fazenda pode produzir café para a bolsa, mas as torrefações de grãos especiais pagam um ágio", disse Tamari.

O café arábica para entrega em julho caiu 1,7 por cento na sexta-feira, para US$ 1,2555 a libra-peso. Os grãos acumulam queda de 8,4 por cento neste ano.

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