Cofre no porão guarda segredos do banco mais antigo do Canadá

Doug Alexander

(Bloomberg) -- A alma do banco mais antigo do Canadá jaz sob as ruas de paralelepípedos do centro antigo de Montreal, em um cofre protegido por guardiões da história.

Na sede do Bank of Montreal, em um edifício erguido na década de 1960 junto à Place d'Armes nesta cidade da província de Quebec, é preciso descer quatro andares de elevador para chegar ao lar subterrâneo de um dos arquivos corporativos mais velhos do país. Um cofre protegido por uma porta de aço e barrado ao público abriga uma coleção que atravessa dois séculos.

Seus objetos tecem a história de um banco inglês na América do Norte que começou meio século antes de o Canadá se tornar um país. O Bank of Montreal ajudou a azeitar as engrenagens do comércio além das colônias britânicas que depois formaram parte do Canadá. A instituição emitiu notas bancárias que serviram para troca de moedas e apoiou o comércio e empresas em Montreal, Nova York, Chicago e Londres.

"Os arquivos são a alma do banco", disse a arquivista-chefe Yolaine Toussaint, que divide um escritório no porão com dois assistentes. "Você é o que é por causa do seu passado."

Entre os tesouros estão cerca de 1.120 cédulas e moedas, 18.500 fotografias, 9.800 documentos, mais de 1.370 filmes, fitas VHS e gravações e cerca de 1.290 artefatos. No cofre, onde a temperatura é mantida estável em 15,6 graus Celsius e a umidade em 35 por cento, fica o bem mais precioso: os Artigos de Associação da instituição.

O livro com capa de couro é a gênese do setor bancário canadense. Há 19 páginas de regulamentos escritos à mão, cada uma assinada pelos nove fundadores em junho de 1817. Outras sete páginas listam os primeiros acionistas do Bank of Montreal.

O Bank of Montreal comemora um século no mesmo ano em que os canadenses celebram o 150º aniversário da nação. Ao virar esta nação em 1867, por meio de um processo conhecido como Confederação, o novo governo federal fez do Bank of Montreal seu banco de todas as horas. A instituição ajudou a financiar a primeira linha de telégrafo entre Toronto e Montreal e a ferrovia transcontinental que ligou uma ponta à outra do país em 1886.

Os negócios bancários estão anotados em antigos livros e registros com as folhas já soltas. Há documentos de bancos adquiridos há muito tempo, cofrinhos mecânicos de 1870 e um recipiente para derreter cera usada para selar cartas.

Também há objetos que mostram o alcance do banco fora de Montreal. A coleção inclui oito cartas com ordens do escritor inglês Rudyard Kipling que ainda são consideradas informação confidencial entre o banco e seu cliente. Há também um cartão com as assinaturas de Henry Ford e sua esposa Clara firmadas em 1922 na agência de Chicago e uma balança usada durante a corrida do ouro na inóspita região de Klondike.

Um dos itens favoritos da arquivista-chefe é uma carta, de junho de 1868, escrita por um dos primeiros funcionários do Bank of Montreal, o contador Henry Dupuy. São 18 páginas de memórias, incluindo um apuro que ele passou durante uma tempestade no inverno de 1832. A correia que ligava a carruagem aos cavalos se rompeu quando subiam uma ladeira com "uma soma bem grande" de moedas, forçando Dupuy e o condutor a andar com neve até a cintura para juntar a carga e retomar a viagem.

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