Bolsas

Câmbio

EUA analisam projeto para privatizar controle do tráfego aéreo

Justin Bachman

(Bloomberg) -- Ao pressionar para privatizar o controle do tráfego aéreo, a Casa Branca restabeleceu uma das maiores prioridades do setor aéreo dos EUA: retirar da Administração Federal de Aviação do país (FAA, na sigla em inglês) a supervisão do tráfego aéreo e entregar a função a uma organização sem fins lucrativos.

Esse modelo é utilizado em outros países, entre eles o Canadá. As companhias americanas costumam citar a Nav Canada, a associação sem fins lucrativos com sede em Ottawa que supervisiona o tráfego aéreo no país desde 1996, como algo que os EUA deveriam imitar. Segundo esse modelo, a FAA manteria a supervisão da segurança, como a Transport Canada, seu par ao norte da fronteira, faz. O novo grupo de tráfego aéreo dos EUA seria financiado com taxas pagas pelos usuários.

No ano passado, Bill Shuster, deputado republicano pela Pensilvânia, apresentou um projeto de lei que teria refletido o modelo canadense, mas que não chegou a ser votado devido à falta de apoio de ambos os partidos. Na segunda-feira, Shuster participou de uma cerimônia na Casa Branca em que o presidente Donald Trump anunciou o restabelecimento da proposta.

Os partidários da privatização acreditam que remover a FAA do controle direto aceleraria a evolução do sistema.

Para os passageiros, no entanto, a questão primordial é óbvia: um sistema privado seria menos seguro? Uma análise de cinco países onde grupos privados controlam o tráfego aéreo mostra que não necessariamente haveria mais riscos à segurança. Mas ainda restam muitas perguntas abertas, enquanto as companhias aéreas, os pilotos, os órgãos reguladores, os sindicatos e os passageiros dos EUA esperam para ver se o Congresso fará uma revisão abrangente do controle do tráfego aéreo.

Uma agência privada possibilitaria economizar dinheiro?

Esse é o grande pomo da discórdia. O sistema atual administrado pela FAA custa US$ 2,07 por milha, US$ 0,08 a menos do que o da Nav Canada, segundo um estudo feito em 2015 por Bob Mann, consultor do setor em Long Island, Nova York. As flutuações cambiais podem afetar a comparação e a Nav Canada enfrenta disputas constantes sobre como determinar as taxas para os diversos setores de sua base de clientes. Além disso, as aéreas canadenses repassam os custos de navegação aos clientes no preço das passagens -- outra fonte potencial de fricções no debate legislativo pendente. Por isso, a resposta é: talvez não.

Os EUA é um país muito grande, com muitos aviões, para ser privatizado?

Em 2014, 9,6 milhões de voos partiram dos EUA, quase três vezes mais do que na China, a segunda colocada, de acordo com dados do Banco Mundial. O Canadá e seu sistema de tráfego aéreo privado ficaram com o terceiro lugar, com 1,3 milhão de partidas. Então, os EUA é um país grande demais para isso? Pessoas com bom-senso discordam. Em sua resposta a um relatório do inspetor-geral do Departamento de Transporte sobre diferentes modelos, a FAA demonstrou em 2015 que "controla 60 por cento mais voos [por instrumentos] do que os 40" centros europeus de controle do espaço aéreo juntos. Mas os funcionários que têm uma opinião contrária dizem que todos os espaços aéreos são idênticos, exceto pelo volume, e que sistemas como o do Canadá podem ser expandidos sem problemas.

Que países decidiram privatizar?

Muitos países. A Nova Zelândia foi o primeiro país a tirar o governo do controle do tráfego aéreo, no fim da década de 1980, seguida pela Alemanha, Austrália e pelo Reino Unido. A França migrou o controle do tráfego aéreo para um organismo governamental financiado pelas taxas que são cobradas dos usuários há uma década; esse organismo manteve a supervisão da segurança operativa. A Alemanha criou uma empresa administrada pelo governo. O Reino Unido utiliza uma parceria público-privada única para o NATS, que administra o controle do tráfego aéreo. As aéreas americanas afirmam que o modelo canadense funciona melhor.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos