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Qatar Airways será maior vítima da crise diplomática no Golfo

Deena Kamel Yousef

(Bloomberg) -- A companhia aérea estatal do Catar provavelmente será a maior vítima da crise diplomática no Golfo Pérsico -- e concorrentes em Dubai e Abu Dhabi também vão sofrer.

Cerca de 76 voos diários provavelmente ficarão no solo, 52 dos quais são operados pela Qatar Airways, depois que Arábia Saudita, Bahrein, Egito e Emirados Árabes Unidos suspenderam as relações com o Catar, de acordo com dados da agência de agendamento OAG. Cerca de 30 por cento da receita da aérea pode ser afetada, estimam analistas do setor aéreo da Frost & Sullivan.

Entre as operações da Qatar Airways que devem ser interrompidas está uma rota para Dubai que funciona 14 vezes por dia. Planos para impedir que os aviões catarenses entrem no espaço aéreo dos países podem ser ainda mais problemáticos, porque elevarão as despesas impondo desvios significativos e colocando em risco a viabilidade de algumas rotas.

"Desviar do espaço aéreo fechado implica maiores custos de combustível e tempos de voo mais longos", disse Mark Martin, diretor da Martin Consulting, com sede em Dubai. "Destinos na África e em todo o Oceano Índico podem deixar de ser sustentáveis na rede da Qatar Airways."

A receita da Qatar Air, assim como as de outras aéreas do Golfo, já está sendo espremida porque o baixo preço do petróleo pesa sobre o crescimento econômico da região e prejudica a demanda por viagens entre executivos da indústria do petróleo. A proibição imposta pelos EUA de que passageiros usem laptops a bordo de voos com destino aos EUA, devido ao temor de potenciais ataques terroristas, também está afetando a demanda da classe executiva.

Etihad e Egyptair

A proibição imposta pela Arábia Saudita aos voos foi introduzida com vigência imediata na segunda-feira e a proibição relativa ao espaço aéreo passou a ter efeito nesta terça-feira. O Egito e Bahrein também declararam que as aéreas do Catar não poderão sobrevoar seus territórios, mas os Emirados Árabes Unidos indicaram que seu espaço aéreo permanecerá aberto. A Qatar Air preferiu não comentar e informou apenas que suspendeu os serviços sauditas.

A Emirates e a Etihad Airways, especialista em rotas de longa distância, de Abu Dhabi, deverão interromper as operações para Doha em 6 de junho, junto com as aéreas de baixo custo FlyDubai e Air Arabia de Sharjah. A Saudi Arabian Airlines, a Egyptair e a Gulf Air, com sede em Bahrein, também interromperão os serviços.

As companhias aéreas estrangeiras também podem ter que pedir permissão para sobrevoar o Catar, de acordo com uma declaração da agência de imprensa estatal saudita.

Mais de 10 por cento de todos os assentos de avião entrando ou saindo do Catar são atribuídos a voos que envolvem os quatro países que impõem a proibição de viagem, disse Diogenis Papiomytis, diretor do setor aeroespacial da Frost & Sullivan, e a maioria dos passageiros que usam essas conexões está vindo ou indo aos serviços de longa distância dos quais a Qatar Air deriva a maior parte de seus ganhos.

Nas rotas entre o Catar e os Emirados Árabes Unidos, oito em cada dez passageiros têm origem ou destino final fora desses dois países, de acordo com o analista, que disse que as medidas representam uma "grande dor de cabeça" para planejadores de rotas em todas as operadoras envolvidas.

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