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Sudeste Asiático perde profissionais para países mais ricos

Karl Lester M. Yap

(Bloomberg) -- Nyl Patangan, formado em Enfermagem nas Filipinas, abandonou sua terra natal em busca de uma vida melhor. Agora trabalhando em um hospital de Chicago após um período em Dubai, ele sustenta os pais, que ficaram no país, e está comprando uma Toyota Vios para a mãe.

Um estudo recente do Asian Development Bank (ADB) mostra que o número de imigrantes com formação universitária que foram trabalhar em países mais ricos na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) cresceu 66 por cento na década terminada em 2010-2011, para 2,8 milhões. Mais da metade deles saiu das Filipinas e centenas de milhares trabalham em regiões fora da OCDE, como o Oriente Médio.

A tendência persistiu e o número de filipinos que foram trabalhar no exterior aumentou 27 por cento entre 2011 e 2015.

A fuga de cérebros, termo surgido na década de 1960 quando cientistas e intelectuais britânicos imigraram para os EUA, refere-se à perda de capital humano. Os países emergentes, onde os salários são uma pequena parte dos da OCDE, correm o risco de perder seus profissionais mais brilhantes, embora a perda também tenha um lado positivo: as remessas de dinheiro enviadas para sustentar as famílias que ficaram no país. O Banco Mundial estima que as remessas para países em desenvolvimento totalizaram US$ 429 bilhões em 2016 e que as das Filipinas chegaram a US$ 30 bilhões, um décimo da economia do país.

"Essa perda de capital humano nos campos de medicina, ciência, engenharia, administração e educação pode ser um grande obstáculo para o desenvolvimento econômico e social", escreveram Jeanne Batalova, Andriy Shymonyak e Guntur Sugiyarto, pesquisadores do ADB, em um relatório de fevereiro.

Cerca de 10 por cento dos cidadãos com alta escolaridade das Filipinas, de Cingapura e do Vietnã moram em países da OCDE. No caso do Laos e Camboja, a proporção é de cerca de 15 por cento.

A emigração ocorre apesar do enorme avanço do Sudeste Asiático para melhorar a educação nas últimas décadas. Mais de 50 por cento dos filipinos, malaios e cingapurianos nos países da OCDE têm alta escolaridade, em comparação com a média de 30 por cento. Os imigrantes do Sudeste Asiático em geral possuem também maior escolaridade ou mais experiência do que a necessária para os empregos que ocupam. Cerca de 52 por cento dos trabalhadores da Tailândia estão excessivamente qualificados e a proporção é de mais de 40 por cento para imigrantes de Filipinas, Laos, Camboja, Mianmar e Vietnã.

Apesar do boom econômico da região, em que países como Filipinas, Vietnã, Laos, Mianmar e Camboja registram taxas de crescimento de mais de 6 por cento, os cidadãos escolarizados ainda procuram oportunidades no exterior.

"Os migrantes respondem a salários mais altos e melhores condições de trabalho, perspectivas de desenvolvimento profissional e formação contínua de outros países, e a oportunidades de trabalhar com outras pessoas qualificadas em grupos de profissionais", segundo o relatório.

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