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Suspeitas rondam IPO de empresa que vende carros usados nos EUA

Neil Weinberg e Tom Metcalf

(Bloomberg) -- Quem compraria um carro usado de uma máquina?

A resposta virá quando a Carvana divulgar seu primeiro balanço após a abertura do capital, em abril, com Wells Fargo, Bank of America Merrill Lynch, Deutsche Bank e Citigroup atuando na subscrição das ações.

As máquinas em questão são estruturas de vidro de vários andares que distribuem automóveis de segunda mão em quatro cidades do Texas e em Nashville, no Tennessee. E não é isso o que mais chama a atenção sobre a empresa iniciante que já foi chamada de "Amazon dos carros usados". A Carvana está queimando caixa em um ritmo que lembra o estouro da bolha da internet. A companhia aceitou repassar a seus primeiros investidores a maior parte dos benefícios tributários gerados na IPO (initial public offering), calculados na ocasião em US$ 1 bilhão. Entre eles está o controlador e maior acionista da Carvana, Ernest Garcia II, que é pai do presidente da empresa, Ernie III, de 34 anos.

E há algo que os outros investidores não leram no prospecto elaborado para a oferta na Bolsa de Valores de Nova York: Garcia foi condenado em um escândalo de instituições de crédito e poupança no início da década de 1990.

Por meio da Carvana, Ernie Garcia III se recusou a fazer comentários antes da divulgação do balanço. Ernest Garcia II também se recusou a comentar.

As ações da Carvana desabaram 40 por cento desde a abertura de capital, em 27 de abril. O momento é desafiador: a oferta abundante reduz os preços dos carros usados e a inadimplência aumentou.

Sediada em Phoenix, a Carvana, que atua em 27 cidades, foi desmembrada em 2014 da DriveTime Automotive Group, operadora privada de lojas físicas de veículos usados. Garcia pai é presidente do conselho da DriveTime e dono de quase todas as ações. Seu sócio de longa data, Raymond
Fidel, é o diretor-executivo da DriveTime. DriveTime e Fidel se recusaram a fazer comentários para esta reportagem.

Garcia se declarou culpado de fraude bancária e Fidel se declarou culpado de fraude com instrumentos financeiros no início da década de 1990 após a quebra da Lincoln Savings and Loan Association, que deflagrou um escândalo político de alcance nacional. Cinco senadores foram acusados de aceitar contribuições de campanha do comandante da Lincoln, Charles Keating, e intervir a favor dele.

Depoimento contra Keating

Garcia e Fidel escaparam da cadeia porque testemunharam contra Keating. Os dois tiveram suspensão condicional da pena por três anos e Garcia foi proibido de atuar no setor financeiro por pelo menos três anos.

O prospecto da IPO não menciona o passado dele. Ele não é representante ou diretor da Carvana. Porém, por meio de diversas entidades, ele e o filho detinham 97 por cento das ações ordinárias na época da colocação e têm a última palavra em assuntos que exigem aprovação dos acionistas, como a seleção de executivos. O prospecto descreve um emaranhado de ligações entre a Carvana, a DriveTime e outras empresas controladas por Garcia. A Carvana aluga espaço para as lojas e jatos executivos da DriveTime e licencia propriedade intelectual da mesma, que usa para cobrança e serviço das dívidas.

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